Digitalizando (ou ‘Jornalismo em tempos de Internet’)


digitalizando

Desde 2012 estudo o futuro do jornalismo como profissão. Penso – igual à maioria dos observadores da evolução sócio-cultural mundial – que já não faz tanto sentido pagar para ter a notícia no dia seguinte, se consigo acessar (quase) tudo em tempo real. Não faz mais sentido receber a informação filtrada aos olhos do jornalista se meus olhos podem estar no acontecimento. Prova dessa mudança é a estatística cataclísmica para a categoria: praticamente não existem leitores de jornal com menos de 30 anos.

As pessoas não compram mais jornais, mas não acreditam nas notícias que leem na internet. Nesse sofisma parece entrar o jornalista, para acreditar (no sentido de dar crédito) as fontes de informação, para dar o seu carimbo de credibilidade – claro, falando dos profissionais que tem esse carimbo – à informação que chega esparsa, confusa e crua.

A relação empregatícia também não é mais tão simples. No século 20, os jornais eram produto de consumo da elite, que os comprava avidamente. Ter um jornalista de mais destaque era como ter um Messi ou Cristiano Ronaldo em seu elenco, trazendo mais resultados e mais leitores, como os boleiros hoje trazem mais resultados e mais público ao estádio. E com o público, garantindo patrocinadores.

Essa relação sempre foi mais direta na mídia impressa, que vende informação, única exclusivamente. Rádio e TV sempre faturaram também com entretenimento. E com a popularização da internet no mundo, a informação passou a ficar à disposição de todos, de graça e – o que é mais interessante – direto da fonte. Diminuiu sensivelmente a importância da habilidade de se encontrar as fontes e delas extrair a informação.

Os resultados são sensíveis e o exemplo mais palpável disso é o Grupo Abril, que gere, entre outras a marca Estado de São Paulo. Nos últimos anos o grupo vem sendo o principal sustentáculo da tese “Jornalismo 2.0” (que jura ser uma fórmula para a adaptação dos impressos) enquanto, com frequência, anuncia a demissão de profissionais das suas redações.

E de onde vem o dinheiro? Dinheiro não é problema no mundo virtual. No Brasil, por exemplo, desde 2013 a internet é o segundo meio de comunicação que mais recebe verbas de publicidade. Perde para TV, mas supera os veículos impressos e o rádio.

O que ainda falta – ou que, como tudo na web, está em processo de elaboração – é a forma de captação desse recurso. Mais do que nunca é preciso de formatos que ultrapassem o modelo que os impressos exportaram para seus portais na internet que é estampar a logomarca de um patrocinador ao lado do conteúdo escrito.

Trabalho tem bastante, dinheiro também. Vão sair na frente os comunicadores que criarem as melhores formas de trocarem um pelo outro.