Lençóis Paulista, Viva!


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No momento em que escrevo este texto, mais de 12,2 mil pessoas postam, comentam e visualizam as publicações do grupo Lençóis Paulista Viva! Agora, no relógio do meu laptop são 20h27, exatamente. O que quer dizer que, quando comecei a escrever, faltavam pouco mais de duas horas para que o grupo completasse uma semana de vida.

Exatamente. Uma semana.

Fiquei desempregado de repente, de surpresa, na primeira semana do ano. Minha exoneração do cargo de Assessor de Imprensa da Câmara Municipal foi publicada no jornal Tribuna na edição de 7 de janeiro. Imediatamente comecei a bater de porta em porta. Há tempos já imaginava que meu futuro profissional seria como agência com carteira de clientes, não como colaborador de empresa de comunicação. Achei que conseguiria uma transição tranquila. Eu estava errado.

Enfim, eram várias portas a bater. Felizmente, muita gente se interessou pelos meus serviços, vários orçamentos. Seis dias depois, no dia 13 de janeiro, já não tinha tanta gente assim para abordar. A hora era (ainda é) de esperar por respostas.

Esperar nunca foi meu forte, sofro de uma ansiedade desproporcional que me levou ao psiquiatra várias vezes. Eu precisava fazer alguma coisa para distrair a angústia. O que fazer? “Vou criar um grupo no Facebook”.

Vasculhei meu e-mail em busca de um conjunto de fotos antigas paisagens de Lençóis Paulista – cidade onde nasci e fui criado – que havia recebido meses antes para um projeto totalmente nada a ver com isso, escolhi uma da rua 15 de Novembro decorada para o carnaval de 1974. Nem sabia que era decoração de carnaval, um membro do grupo me falou.

O nome? Desde criança acompanho política. “Trabalhei” em 1988 na campanha do Dingo para prefeito. E naquele tempo já pensava no nome da coligação da minha própria candidatura majoritária: Lençóis Paulista Viva!

Em 2004, por pouco essa coligação não foi às ruas. O amigo Jean Zeferino me salvou de cometer esse erro, o próprio Dingo me desencorajou e eu colocava finalmente na cabeça: ser candidato não é vida pra mim.

Mas quando escolhi a foto, este foi o nome que me veio à cabeça. O que é um grande sinal divino que essas três palavras que formam essa expressão tão vibrante e sonora estavam destinadas para algo maior.

Convidei 200 pessoas, dali duas horas, mais 200. Postei algumas fotos, antigas e atuais e provoquei (literalmente) as outras pessoas para que adicionassem mais pessoas. De repente, tinha mais gente postando fotos. E mais fotos, e cada vez mais fotos.

Mal consegui comemorar quando atingimos a marca de mil membros, quando fui ver, eram quase dois mil. E antes que eu vibrasse com os três mil, já eram mais de quatro mil. O sucesso do grupo foi tão estrondoso que quando eu pensei em escrever uma mensagem de agradecimento aos membros pelas dez mil adesões, já eram quase 12 mil.

E de repente eu vi, ali, naquele canal que abri por terapia para não pirar, as pessoas se reencontrando, matando as saudades de entes queridos que se foram, de amigos que não se viam há tempos. Pessoas que já não moram mais aqui, estão em outras cidades ou no exterior. Todo mundo, de todas as cores, religiões, classes sociais e tudo o que se puder imaginar de diversidade humana que compõe o povo de Lençóis Paulista, todos estavam revirando suas gavetas e seus HDs, em busca de material para enriquecer o grupo.

Sem querer, absolutamente sem querer, havia desencadeado um movimento nostálgico na cidade, que emana uma vibração positiva sem igual. Vi ali as pessoas se reencontrando, se divertindo, se emocionando, chorando. Todos tem suas crenças, eu tenho as minhas. E digo, eu não fiz nada. Foi Deus quem me inspirou (e eu agradeço aos céus pela oportunidade de fazer bem a tanta gente) e foram os membros do grupo que, juntos, criaram o espaço mais querido do Facebook de Lençóis Paulista nos últimos sete dias.

Onde o grupo vai parar? Confesso, não sei. É uma surpresa muito grande e é uma movimentação muito maior do que eu jamais sonhei em administrar. Mas, espero de todo o coração, que esse vício (muitos dos membros usaram essa palavra) de revisitar o passado prevaleça, persista, continue. E que esse grande movimento cultural e memorialista que hoje envolve a cidade e gera muita energia boa, muitas moções positivas, nunca mais pare.