Brasileiros e geniais! – 9 filmes que marcaram o cinema tupiniquim


"Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno

Jogadores de futebol? Negativo. Filmes. O brasileiro pode ser genial com muitas coisas, tudo é uma questão de foco e – é claro – retorno financeiro. De qualquer forma, todos os filmes desta lista são, na humilde opinião do autor desta crônica, absolutamente imperdíveis. Ou seja, se ainda não viu algum deles, esforce-se. É diversão garantida!

A ordem é aleatória. Já que cometi o ultraje de escolher nove entre tantos bons filmes brasileiros, não me atreveria a apontar um como melhor que os outros.

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Lisbela e o Prisioneiro

Na década de 1960, Osman Lins (autor de Avalovara), escreveu Lisbela e o Prisioneiro para o teatro. 25 anos depois de sua morte, em 1978, uma adaptação desta obra chegou inspirada ao cinema brasileiro. Dirigido por Guel Arraes e com atuação impagável de Selton Melo, Marco Nanini e Tadeu Mello, o filme se passa no sertão pernambucano e conta a história de uma jovem (vivida por Débora Falabela) de casamento marcado, mas que vive a sonhar com os personagens do cinema. A trilha sonora chama a atenção: além de Los Hermanos cantando “Lisbela”, ainda tem nomes como Caetano Veloso, Lirinha, Yamandú Costa e Sepultura.

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Central do Brasil

Dirigido por Walter Salles, este filme, de 1998, foi o que me deu a consciência de que o Óscar não é um prêmio sério. Não por ter perdido na categoria Melhor Filme Estrageiro – afinal, perdeu para nada menos que “A Vida é Bela”, de Roberto Benini -, mas por ter perdido na indicação Melhor Atriz. Por mais graciosa que seja a Gwyneth Paltrow, ninguém interpretando Viola de Lesseps (que era marginalizada pelo próprio Shakespeare) deveria vencer Fernanda Montenegro. Enfim, o filme ilustra, na figura da idosa Dora e do jovem órfão Josué, milhões de histórias de dor, derrotas e vitórias que passaram pelos saguões da Estação Dom Pedro Segundo, também conhecida como Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Inspirado e comovente, épico, intimista… sem mais adjetivos.

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Cidade de Deus

O nascimento de uma favela, a conjunção de dezenas de milhares de dramas e tragédias que culminam na arquiteturização da pobreza, entre o final da década de 1960 e o início dos anos 1980. Cidade de Deus, bairro do Rio de Janeiro, tem muitas outras histórias pra contar, sem dúvida. Mas o filme, dirigido por Fernando Meireles, é a adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Paulo Lins que – acreditem – é o Buscapé, um dos principais coadjuvantes da trama. Chocante, comovente, real, entrou para a história como a primeira obra que mostra ao mundo, a face social do Brasil, desigual, violento e racista.

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Diários de Motocicleta

Dirigido pelo brasileiro Walter Salles, este filme é um dos mais internacionais do catálogo tupiniquim, pois tem co-produção na Argentina, Chile, Pero, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e França. Obra biográfica lançada em 2004 que conta a história de ninguém menos que Che Guevara, e de sua expedição pela América do Sul quando ainda era Ernesto Guevara de La Serna, um jovem estudante de medicina. Da história contada no filme vieram os fundamentos humanos e sociais que fariam dele o mais importante guerrilheiro marxista da história da humanidade. Uma história curiosa: “Diários de Motocicleta” consta como o primeiro filme brasileiro a vencer um Oscar, o de Melhor Canção. Ou seja, nossa primeira estatueta de luxo veio por um filme assinado por quase uma dezena de países, que conta a história de um argentino. Como cereja do bolo, a canção lhe rendeu a premiação máxima, “Al Otro Lado del Rio”, foi escrita por um uruguaio, Jorge Drexler.

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O que é isso, companheiro?

Está aí um filme que não tinha como dar errado. Para começar, é baseado na obra homônima do grande Fernando Gabeira (meu Yoda político), publicada em 1979 contando a história do movimento anti-ditadura na década de 1960. Depois, tem no elenco Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Luiz Fernando Guimarães e Matheus Nacthergaele, com participações especiais de Fernanda Montenegro e Lulu Santos. Dirigido por Bruno Barreto, o filme fala sobre a operação para o sequestro do embaixador americano para ser trocado por prisioneiros políticos, ação que abriu procedência para uma série de outras similares e que – por que não dizer? – ajudar a derrubar a sólida parede midiática da Ditadura Militar brasileira.

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O Auto da Compadecida

O segundo filme desta lista dirigido por Guel Arraes é uma adaptação da adaptação. Explica-se: o livro, do brilhante Ariano Suassuna, foi transformado em minissérie da TV Globo. E de minissérie virou filme. Nesta obra, a vida dura, pobre e seca do sertão nordestino é o pano de fundo para o enredo em que Chicó e João Grilo lutam, diariamente, para driblar a fome e a sede e, de quebra, ser feliz, garantindo suas realizações pessoais. Selton Mello e Matheus Nacthergaele são os protagonistas, em um elenco recheado de grandes nomes, como Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Diogo Vilela, Marco Nanini Denise Fraga e Rogério Cardoso. Tão impagável e imperdível como o refrão eternizado neste filme, “não sei, só sei que foi assim”, repetido sem moderação para necessidades de se explicar o inexplicável.

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Tropa de Elite (I e II)

Os dois filmes da franquia merecem entrar juntos nesta lista, tanto por serem sequências como por tratarem, cada um de um jeito, o principal problema do país, que é a facilidade que o brasileiro tem para se corromper. A obra narra a épica aventura de Capitão Nascimento, no comando do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) contra duas faces do crime, o pé-de-chinelo, no confronto com os chefões do tráfico, chamados de “donos” das comunidades empobrecidas do Rio de Janeiro, depois contra os verdadeiros bandidos da pátria, os detentores de cargos públicos (eletivos ou não) que se aproveitam da sua colocação para tirar vantagens pessoais, em detrimento das necessidades da comunidade. Dirigido por José Padilha, elevou Wagner Moura à condição de um dos atores mais prestigiados do país, além de colecionar outros recordes, como ser o filme mais pirateado da história do Cinema brasileiro, e de ter lançado vários termos que foram incorporados ao vocabulário popular, como “o senhor é um fanfarrão” e “pede pra sair!”.

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O homem que copiava

Dirigido por Jorge Furtado, este filme consta é enquadrado no gênero Drama, mas nada mais é do que uma hilária comédia. Que aliás, nem precisaria de tanta força para ser engraçada, uma vez que conta com Pedro Cardoso e Lázaro Ramos nos papéis principais. A história se passa em Porto Alegre e discute os dilemas do materialismo frente à necessidade de ascensão social com o objetivo único e simples de conquistas belas mulheres. As belas, aliás, são Luana Piovani (burrinha, mas tem belos olhos e é uma atriz razoável) e Leandra Leal.

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Sal de Prata

Abrir de vez as portas para o futuro ou se agarrar com unhas e dentes nos meios tradicionais de produção? Este dilema cai como uma luva em um meio tão conservador quanto a produção cinematográfica. Dirigido por Carlos Gerbase, o filme é quase um mea culpa entre cineastas e entusiastas da Sétima Arte, e conta a história de um acalorado debate entre personagens que defendem a produção em meios digitais e os que ainda defendem o uso dos rolos de filme. Maria Fernanda Cândido e Camila Pitanga garantem uma obra recheada de talento e beleza, em um elenco que ainda conta com Marcos Breda, Bruno Garcia e Maitê Proença.