Os piores do ano: o que de mais patético aconteceu no Brasil em 2014


Brazil v Germany: Semi Final - 2014 FIFA World Cup Brazil

No Brasil, o país da piada pronta, ridicularidade é o que não falta. E ela está em todos os cantos, tão enraizada na cultura brasileira que, não raro, soa como normal aos nossos olhos conformados.

Tudo nessa lista seria cômico, se não fosse trágico. Alguns itens, ainda que trágicos, são cômicos, mesmo assim. É imbecilidade para todos os números, estilos e paladares. Boa leitura.

 

E ria, se puder…

10º lugar

Brasil 1×7 Alemanha

Este acontecimento só está em décimo lugar em uma lista de dez itens porque, apesar de ser a paixão nacional, futebol é só um esporte. Isso posto, pense nas piores goleadas da história do futebol profissional e multiplique por dez.

Acrescente o fato de que a partida aconteceu em nosso território, em uma Copa do Mundo cercada de protestos, revolta e desperdício de dinheiro público. Uma competição que o Brasil esperou mais de 60 anos para voltar a receber e disposto a apagar o vexame de 1950, quando perdeu para o Uruguai, na finalíssima.

Terminado o fatídico confronto no Mineirão, a torcida brasileira caía na real: oxalá o vexame fosse igual ao da longínqua Copa de 1900 e bolinha. Perto dessa patética façanha, uma derrota por 1×0 na final – mesmo que contra a Argentina – seria um luxo desmerecido para toda a corja de imbecilidade que comanda o atual futebol brasileiro.

9º lugar

Friboi & Roberto Carlos

Há que se admitir, poucas ideias seriam mais imbecis do que contratar – a peso de ouro, diga-se de passagem – um vegetariano assumido para fazer propaganda de um frigorífico. Além do péssimo desempenho de Roberto Carlos como ator, o comercial da Friboi agregou à marca e ao músico muitas referências negativas, derrubando decisivamente a credibilidade de ambos e rendendo um prato cheio (com o perdão do trocadilho) para os piadistas de plantão.

Tanto Friboi quanto Roberto Carlos poderiam ter ficado sem essa. Patético, com realeza.

8º lugar

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Marina Silva

Candidata-surpresa nas eleições 2014 – graças à morte de Eduardo Campos, em condições suspeitas, diga-se de passagem – Marina Silva surgiu como um meteoro na corrida presidencial e até 20 dias antes do pleito, jurava-se que ela era a bola da vez. Foi quando suas pérolas começaram a brilhar.

A digníssima retirou da sua agenda as ações voltadas à questão LGBT a mando do pastor Silas Malafaia, vendeu para o eleitor um plano de governo sem pé nem cabeça, ou com muito pé e muita cabeça, digno de Victor Frankstein (com pedaços coletados e literalmente mal costurados dos adversários) e, pra coroar o bolo com a cereja do ridículo, veste-se de drama-queem e embarca em uma mania de perseguição, segundo ela, por ser evangélica, por ser mestiça, por ser do Acre, por usar colares de miçangas, por ter cabelo pixaim ou enfim, por ser Marina.

Patético com honras, digno de quem nasceu para ficar em terceiro lugar em uma corrida que só classifica dois.

7º lugar

Dilma Rousseff: 'Do I look happy, Mr Obama?'

Dilma e o escândalo da Petrobrás

O PT gosta de dizer que hoje a Petrobrás tem patrimônio bem maior do que tinha durante governo PSDB. O que é lamentável, uma vez que nos faz imaginar a potência que a estatal tupiniquim seria se fosse bem administrada e não fosse roubada descaradamente. Desvio de quantidades absurdas de dinheiro, denúncias de pagamento de propina que fizeram com que, pela primeira vez na história do Direito Penal Brasileiro, um morto fosse para o banco dos réus. Episódio patético com a marca do PT.

Mais patético que isso foi a resposta ensaiada de Dilma quando perguntada, durante a campanha presidencial, sobre Petrobrás e sobre o Mensalão. A presidente (que em um vilipêndio do idioma, seus correligionários eloquentes padronizaram chamar de “presidenta”) repetiu – e repete até hoje – que nunca a Polícia Federal prendeu tanta gente importante quanto prende hoje.

Por que será?

6º lugar

Aécio e Ronaldo percorreram as ruas de Osasco e Carapicuíba neste sábado

Ronaldo e Aécio

Depois de competir com Pelé em 2013 durante a Copa das Confederações para ver quem falava mais asneira, eis que Ronaldo, o Fenômeno, antes declaradamente contrário à onda de protestos que tomou o Brasil no ano passado, declara apoio a Aécio Neves (PSDB) na corrida presidencial. Não deu para entender a postura de Ronaldo, de quem nunca se esperou mesmo muita coerência.

Mas entendeu-se menos ainda a postura do então candidato à Presidência, em aceitar o apoio de uma figura tão em baixa junto à opinião pública que, certamente, não trouxe um voto sequer, além do voto do próprio Ronaldo. Patéticos.

5º lugar

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Lobão e Chico Buarque

Lobão e Chico Buarque estão juntos neste item porque separá-los exigira que um estivesse à frente do outro nesta escala de imbecilidade. E isso seria injusto.

Artistas importantes da história da música brasileira – cada um em seu tempo e ao seu estilo – ambos tiveram um 2014 desastroso, aparecendo, cada um de um lado das campanhas presidenciais, para dizer coisas que deixaram os fãs deduzindo que o primeiro havia derretido o cérebro com os opiáceos e o segundo, finalmente, lesado seus neurônios com os canabinóides.

O Chico, pelo menos, está gagá bem longe, chapando a moringa sob o sol da França. O Lobão, pelo contrário, está todos os dias pelas ruas, reforçando as asneiras que disse ao longo das campanhas. Patéticos, ambos entraram para o grupo de artistas que há muito tempo não produzem nada que preste e que só aparecem na mídia pra falar merda.

4º lugar

A frase do Mainardi

Diogo Mainardi é um intelectual de alto quilate. Escritor, envolvido em produções artísticas e com criação europeia, esse sujeito tem um arcabouço (essa palavra foi boa eim?) cultural que o coloca na mais absoluta elite intelectual brasileira. E é justamente esse conjunto de bons adjetivos que coloca o playboy no G4 dos mais patéticos de 2014. Dizer que o Nordeste é “bovino” é uma frase compreensível na boca do mais xucro dos fascistas, mas uma aberração se dita por um literato dessa estirpe.

Mainardi também ganhou o privilégio de ser patético duplamente, ofendendo a etiqueta e os protocolos do Jornalismo. Não é jornalista, mas na qualidade de colunista de uma das mais influentes revistas do país e apresentador de um programa intelectualmente elitizado, se comportar como jornalista é o mínimo que ele deveria fazer.

Ao jornalista não é permitido emoção na cobertura dos fatos e quando ele tem que manifestar sua opinião, o faz com a obrigação de fundamentar em argumentos sólidos e isentos. Emoção rancorosa e o ruminar de um ódio fascista rançoso em pleno século 21, foi o que ele usou para formular a frase pela qual ele será lembrado para sempre, em detrimento de qualquer trabalho relevantemente positivo que ele já possa ter feito.

3º lugar

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Fãs da Ditadura

Enquanto muitos países do mundo ainda lutam para se livrar de suas ditaduras (de direita, de esquerda, é tudo ditadura), um patético grupo – graças a Deus, pequeno – vai às ruas para pedir à volta da ditadura. E só fazem isso porque a Constituição Federal garante a todo e qualquer infeliz ou feliz cidadão, a liberdade de expressão. Em uma ditadura, todo mundo é livre para manifestar como quiser, desde que a favor da ditadura.

Na minha liberdade de expressão, penso que quem defende a volta da Ditadura deveria ser espancado, como uma amostra grátis de um tempo em que o ato de defender o que pensa cobra um doloroso preço.

2º lugar

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Associação Brasileira de Psiquiatria contra a maconha

Isso é um exemplo de algo que, mesmo trágico, é cômico. Sem mais comentários. A campanha da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) contra a regulamentação da maconha é absolutamente impagável e se revela como uma das mais desastrosas e patéticas ações de marketing da história da publicidade brasileira.

1º lugar

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Bolsonaro comedor

Todo santo dia ele agride verbalmente um companheiro parlamentar, se manifesta com termos chulos no parlamento. Dia sim, dia não, humilha um jornalista e, a cada minuto, constantemente, ofende a inteligência de qualquer um que se atreve a discordar da diarreia ideológica que ele espalha na grande latrina que é a política brasileira.

Sem dúvida, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) é uma das figuras mais patética da história recente da política brasileira. Mas, nos últimos dias, deu declarações desproporcionais até mesmo para o JBS (Jeito Bolsonaro de Ser).

Ao dizer à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que “só não a estupra porque ela não merece”,  Bolsonaro admite ser um criminoso sexual e dá motivo para todas as mulheres que, por qualquer infelicidade do destino, tenha que conviver com ele, se sentirem ameaçadas pela sua simples presença.

Gostaria de encerrar este texto dizendo que nem Bolsonaro seria tão patético assim, mas o cara tem mostrado uma constante capacidade de superação. Relacioná-lo no topo dos piores do ano é uma segurança, sem medo de errar.

Nos poucos dias que faltam para o fim de 2014, só mesmo Bolsonaro pode ser tão patético quanto Bolsonaro. Ou ainda mais!

Deixei algum acontecimento patético de fora? Você concorda com essa lista? Pense, escreva, comente, divirta-se!