Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é


POST02

Aos olhos de “quem não erra” – neste sarcasmo entra a curva de ignorância demonstrada por Platão – o método tentativa-e-erro soa como uma bela irresponsabilidade do “pesquisador”, justamente pela disposição de errar um sem número de vezes, até que se chegue a um único acerto. No meu parco conhecimento de ciência e com toda a aversão que eu tenho a padrões metodológicos (inclusive os meus próprios), acho essa forma a mais brilhante, sábia e segura de se alcançar um resultado.

A definição da Wikipedia endossa o parágrafo acima: “cada tentativa rende um valor particular a ser estudado e melhorado, removendo erros de cada repetição, agregando qualidade às tentativas futuras, mesmo que não garanta a ausência de novos erros”.

Na vida de um nerd sistemático de meia idade, tentativa e erro nada mais é do que currículo. O que eu sou hoje é a soma de todas as tentativas (conscientes ou não) que fiz e dos erros que cometi (assumidos ou não, de propósito ou não). A diferença para uma pesquisa científica é que a vida não é uma ciência exata e é preciso uma boa dose de humildade e sabedoria para “remover os erros de cada repetição”.

Perdido nas metáforas que às vezes nem eu compreendo, tenho algumas certezas a confessar. A primeira delas é que, quanto mais eu cresço (e crescer dói), mais eu enxergo os erros, mais eu valorizo as tentativas. Outra certeza é que, em algumas situações, vou precisar errar mais de uma vez para ser capaz de remover os erros da próxima repetição.

Mas a certeza mais convicta, mais derradeira é a de que eu tenho orgulho do resultado de quase 37 anos de tentativas e erros. Tenho orgulho e tenho medo, não de errar, mas sim, de falhar. E, além de ser um instituto fundamental para a sobrevivência, o medo é um dos principais catalisadores do crescimento.