Flores de maio azuis….


29223073

 

 

Ainda faltam duas páginas? Essa não!

 

Eu tinha 16 anos quando ouvi Sapato Velho pela primeira vez. Foi no Bem Brasil – que ia ao ar aos domingos de manhã na TV Cultura – na voz do próprio Claudio Nucci.

Essa música, automaticamente, ganhou meu coração, pela beleza e complexidade de sua melodia, recheada de acordes dissonantes, e pela lembrança de um livro que li na infância. “Flor de Maio”, de Maria Cristina Furtado, conta a emocionante história de uma borboleta que precisa da rara planta para consertar uma asa danificada.

Rara, a schlumbergera truncata (nome científico) é predominantemente vermelha, com variações púrpura ou rosa. Azul? Muito difícil. A própria autora faltamente foi inspirada pela música, já que seu livro é de 1985 e a composição (que NÃO é do Roupa Nova, é do Claudio Nucci, Mu Carvalho e Paulinho Tapajós).

Lá se vão 20 anos desde a primeira vez que ouvi a música, 30 desde que eu li o livro.

Junto, também foi-se o tempo em que os brasileiros aprendiam a ler na infância.

Cravejada nesta brilhante melodia, a poesia-enredo conta a história de um sujeito que lembrava glórias e bravatas de épocas passadas e que, no presente envelhecido, tentava valorizar as qualidades que ainda e outras advindas da maturidade. Poesia que repeti automaticamente milhares de vezes depois que aprendi a tocar Sapato Velho no violão, mas que nunca havia surtido em mim os efeitos desejados pelo autor.

Até hoje, 20 anos depois, quando eu próprio não tenho mais estrelas nos olhos nem sou tão veloz como os heróis. Não sei tocar mais a música no violão (sequela do distanciamento de seis anos das seis cordas douradas, somada à falta de conhecimento técnico-musical e complexidade da obra) e uma tarefa que antes me parecia simples, agora me pesa.

Mas, talvez eu seja mesmo como um sapato velho…