Dez filmes em que o mundo não acabou


Dirigido por Ridley Scott e "consolidado" como fracasso absoluto de bilheteria na época do seu lançamento, no início dos anos 1980, Blade Runner é considerado por especialistas como o melhor filme de ficção científica já produzido

Dirigido por Ridley Scott e “consolidado” como fracasso absoluto de bilheteria na época do seu lançamento, no início dos anos 1980, Blade Runner é considerado por especialistas como o melhor filme de ficção científica já produzido

Listas, listas, listas… as listas dominam os padrões de leitura dos navegantes online na segunda década do século 21. Confesso que, desde criança, sempre gostei de listas. E quando montei o terapêutico Blog do Guirado, mais que depressa me arrisquei a organizar algumas, com filmes, músicas, causos…

O cinema é a área em que fica mais fácil organizar coisas em listas, pela grande variedade de títulos de qualidade e pelo efeito posicológico-afetivo que um bom filme pode ter. Quem quiser ver minhas outras listas sobre a sétima arte pode conferir aqui uma lista dos filmes que mais me marcaram, pelo menos por enquanto.

Nesta outra postagem, uma lista de filmes infantis digna de fazer sonhar qualquer adulto. E, por fim, uma lista divertida de coadjuvantes que roubam a cena em seus filmes.

A próxima lista é específica sobre filmes de ficção científica futurista. É uma frente do cinema que considero que possa ser divida em dois tipos: o de obras que pensam o futuro de forma quase positiva e o de obras que mostram realidades totalmente apocalípticas.

Essa lista é sobre os filmes pouco pessimistas. E com uma ressalva interessante: não há (pelo menos que eu conheça) um único filme sério do gênero que faça uma descrição positiva do futuro. Um alerta? A vida imita a arte ou será que a arte prevê a vida?

Blade Runner

Cá entre nós, perto do que poderia sair da cabeça de Ridley Scott em 1982, até que Blade Runner – O Caçador de Andróides tem uma visão pouco pessimista do futuro. Hoje está às nossas portas, mas quando o filme foi lançado, 2019 era um tempo longínquo. Não será surpresa, inclusive, se alguns pontos do globo terrestre – sobretudo os mais “civilizados” – estiverem em situação de caos social e poluição ambiental, visual e sonora, piores do que no filme.

Fracasso absoluto de bilheteria, entrou quase que imediatamente para a lista de filmes Cult, por sua complexidade temática e potencial filosófico. É considerado por muitos admiradores do cinema como um dos melhores filmes já feitos.

O Quinto Elemento

Sensacional filme francês de Luc Bessson (com direito a figurinos de Jean Paul Gaultier) e estrelado por Bruce Willis e Milla Jovovich, que se passa em um mundo desgastado, saturado, mas que ainda comporta a vida em civilização em um formato bem próximo do que conhecemos hoje.

Ou seja, se ainda estamos lá em 2263, o futuro é pouco pessimista nessa ficção científica com uma boa pitada de comédia.

Equilibrium

Depois de uma Terceira Guerra Mundial, a humanidade ainda está lá. E só isso já é otimismo suficiente. O mundo, inteirinho, limpinho, organizado e civilizado é controlado por um regime totalitário. A natureza emotiva não racional do ser humano é o problema a ser combatido e a capacidade de sentir foi identificada como a real fonte da discórdia e crueldade. O mundo está perto da ordem, ao alto custo de manter os homens sedados, inibidos em suas emoções.

Fora toda a filosofia envolvida, o filme tem Cristian Bale e eletrizantes cenas de ação, que de uma forma ou de outra, gabaritaram o rapaz a incorporar, anos mais tarde, nada menos que o Batman.

Laranja Mecânica

Baseado no romance de mesmo nome, de autoria do escritor Anthony Burgues, o filme – dirigido Stanley Kubrick, o filme conta a história de um playboy de classe média alta que tem entre as principais áreas de interesse a música clássica, o cinema, o estupro e o vandalismo. Preso, condenado e depois de cumprir sua pena, o protagonista é submetido a uma terapia experimental de reversão, que reprime suas reações emocionais. O tratamento o torna incapaz de praticar violências de qualquer origem, mas também o impede de ouvir sua música preferia, a 9ª Sinfonia de Beethoven.

Metrópolis

Em 1927 o diretor alemão Fritz Lang imaginou como seria o mundo dali cem anos: uma sociedade onde os ricos controlavam, do alto de suas belas torres, os operários, que viviam oprimidos nos subterrâneos da cidade como parte das engrenagens.  Cenário que vê surgir o romance entre o filho do governante da cidade e uma jovem líder operária. Destaque para a arquitetura futurista, com passagens suspensas, grandes máquinas, um robô e veículos voadores. Lang não estava muito longe da realidade.

 

 

I.A. – Inteligência Artificial

https://www.youtube.com/watch?v=zTioBYdv2o4

 

Como é um filme com a linha do tempo muito longa, a obra de Steven Spielber pode figurar nessa lista, de visão pouco pessimista, como também pode figurar na próxima que eu vou criar em breve, de filmes apocalípticos. O filme começa em um planeta espremido pelo degelo das calotas polares e com rígido controle de natalidade e termina no total congelamento do planeta, que até pode ser considerado um destino natural da Terra.

Enfim, I.A. tem alta carga humano-filosófica, pesada discussão étca e chama atenção pelos cenários futuristas do caos adaptado às novas condições da civilização. Sem faltar na dosagem cavalar de emoção, positivas ou negativas, que inebria o expectador a todo momento.

Tempos Modernos

Uma belíssima produção com a genialidade que só pode ser encontrada em Charles Chaplin.  Neste filme, Carlitos tece uma crítica cômica, porém, feroz, à consolidação da sociedade industrial e das então recém-criadas linhas de montagem.  Ainda estamos no planeta, marginalizados, famintos e explorados, preteridos em detrimento às máquinas, mas ainda lá. Isso é otimismo.

Minha identificação com este filme vai além do seu valor técnico-artístico. Isso porque eu sei bem o que é surtar por conta de stress contínuo e prolongado gerado no exercício da profissão.

The Final Cut

É um filme cujo o nome em português eu nunca sei direito, mas garanto, não tem nada a ver com a Sharon Stone. O protagonista é o brilhante Robin Willians, vivendo o papel de um Editor, profissional especializado em criar vídeos ou filmes post morten a partir das lembranças pessoais captadas por implantes de memória, que registra toda a vida da pessoa.

Dirigida por Omar Naim, a obra se passa em um futuro nada distante, e pelas condições da sociedade e do planeta retratadas no longa, é bem pouco pessimista. Estruturalmente falando, é claro. Já moralmente…

Gattaca

Mais reflexões sobre a tentativa de fazer com que as questões éticas e morais da humanidade acompanhem sua evolução tecnológica.  O filme – que tem no elenco Gore Vidal, como coadjuvante de luxo – retrata uma sociedade em que a padronização da manipulação genética criou uma nova sociedade de castas, com preconceitos sociais legitimados pela ciência. Mais um filme estruturalmente pouco pessimista, que descreve o futuro como um tempo de progresso e prosperidade, mas que reforça a necessidade da filosofia crítica sobre os recursos que o homem desenvolve hoje e como eles vão impactar na vida na Terra nas próximas décadas.