Imparcial… e inodora?


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“A imprensa tem que ser imparcial.”

Juro que eu queria saber quem foi o babaca que inventou isso. Seja quem for, nunca leu jornal. Aliás, nunca usou jornal nem para forrar gaiola de passarinho. O que pior, essa estúpida célebre frase assombra o público e os profissionais da mídia em pleno século 21. A mídia é tão imparcial quanto é inodora.

Será que nada fede por aqui?

A imprensa já nasceu para ser parcial, tendenciosa e defender um lado. O equipamento inventando por Johannes Gutemberg, na primeira metade do século 15, nasceu para fomentar a Renascença e a Revolução Científica. Jean Paul Marat não estava nem um pouco interessado no que tinha a dizer a aristocracia durante a Revolução Francesa. Cesar Ladeira também estava pouco se lixando para o que pensava Getúlio Vargas, enquanto incitava os paulistas contra o Governo Federal na eclosão da Revolução Constitucionalista.

Não há porque cobrar de um jornal que faça uma matéria atacando o sistema econômico que o mantém em atividade. Para quê? Defender o povo? Se fosse em algum contexto socioeconômico que justificasse a sustentação de um veículo de comunicação pelo consumo de seu conteúdo, através de vendagem de assinaturas ou nas bancas, vá lá. Mas no Brasil, um país onde 70% da população não é capaz de ler um texto de dez linhas? Faça-me rir.

Jornais, revistas, emissoras de rádio e de TV, portais de internet, etc são empresas. E como empresas tem um custo de operação e visam lucro em suas atividades. E isso não é de agora, sempre foi. Profissionalizar é isso, manter pessoas especialistas em determinadas funções. Inclusive, comunicar-se.

E pasmem, não estou falando de O ECO, Tribuna ou qualquer jornal pequeno ou grande de Lençóis Paulista e região. A dependência econômica e instinto de preservação financeira é um “fenômeno” que ocorre em qualquer meio de comunicação.

Duvidam? Neste exato momento, tramita pelas gavetas do Congresso um abaixo-assinado com milhões de assinaturas pedindo que Renan Calheiros (PMDB) não volte à presidência do Senado. Globo, Bandeirantes, Record ou Sbt noticiaram isso? Viram essa notícia em qualquer portal de notícia na internet?

Claro que não. Renan Calheiros é uma peça importante no contexto e – ao que tudo indica – para as emissoras é interesse que ele continue sendo uma peça importante. Do contrário, já teriam fritado o cara, como fizeram com Fernando Collor, Celso Pita e vários outros nefastos nomes da história política brasileira.

O leitor deve estar se perguntando: não posso confiar na mídia então? A resposta é sim, pode. Mas ao ler ou ouvir uma notícia, o leitor/receptor da mensagem tem obrigação de assimilar aquele conteúdo com uma base crítica, analítica. Do contrário, a grande massa está condenada a permanecer na alienação.

E não por culpa da mídia, por pior que seja a qualidade da mídia em geral. Mas sim, por culpa da própria massa.