Em Bauru Iorque, mesmo horário de Brasília


Há quase 30 dias, Bauru (que eu chamo carinhosamente de Bauru Iorque) faz parte do meu calendário profissional

Há quase 30 dias, Bauru (que eu chamo carinhosamente de Bauru Iorque) faz parte do meu calendário profissional: andarilho da comunicação

 

 

Pra quem ainda não sabe, não faço mais parte da equipe do jornal O ECO. Isso desde o final da primeira quinzena de dezembro. Deve ter leitor se perguntando “mas faz tempo e ainda tem gente que não sabe?”.

 

A resposta é: tem. Prova disso é que eu já saí de O ECO uma vez, em 2008. Fiquei 18 meses na Tribuna, mais 12 meses no Jornal de Macatuba e quase três anos depois, em janeiro de 2011, voltei para O ECO. E muita gente nem sabia que eu tinha saído.

 

Por que isso? Simples. O brasileiro gosta mais de futebol e bundas de fora do que de leitura. Todos sabem em que time joga cada jogador e de qual banda de axé/pagode/funk é aquela dançaria loira que posou nua.

 

E com o leitor lençoense não é diferente. Arrisco a dizer que pelo menos metade dos leitores da cidade (metade dos que lêem e entendem um texto, grupo que, segundo as estatísticas, corresponde a menos de 30% da população) não sabem qual jornal é O ECO, qual jornal é a Tribuna, não gravam as diferenças entre o Viver Bem e o Caderno Mulher, muito menos sabem em qual jornal tem a coluna Vip e qual jornal veicula a coluna Circulando.

 

No meu mundo ideal, leitores seriam como torcedores dos veículos de comunicação. Cada um teria o seu preferido e ficaria torcendo para que este ou aquele profissional viesse a vestir sua camisa. Como temos os gols que não nos saem da memória (eu gosto muito de um gol que o pederneirense Andrey marcou de falta contra o São Paulo em 1992), teríamos também os nossos textos preferidos.

 

No mundo real, volto ao MSJ (Movimento dos Sem Jornal) depois de 15 anos. Desempregado? De certa forma, sim. Mas prefiro pensar que sou um profissional liberal. Como tal, andarilheando de cidade em cidade, de demanda em demanda.