A dura vida de um nerd de meia idade


Ou

“Cadê meu sabre de luz?”

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Amigos nerds e intelectuais em geral, respondam rápido: se vocês tivessem um sabre de luz, qual seria a cor dele? Confesso que fiz revisões da minha consciência e dos meus princípios muitas vezes para tomar atitudes e assumir posicionamentos. No entanto, jamais precisei refletir sobre de qual lado da Força eu estaria. Sem dúvida eu seria um Sith e meu sabre de luz, vermelho.

No último sábado, já era madrugada e eu estava jogando videogame. Todos da casa dormiam e como estou desempregado no momento, fico acordado até mais tarde.

Antes de continuar a história, um aposto: nerd não convive com música ruim. Antes de sair do armário e me assumir nerd, fiz até terapia pra deixar de ser “desagradável” e parar de criticar meus (ex) amigos que pregavam que “o que bom pra você não pode ser bom pra mim”. Isso é colóquio flácido. Música ruim é ruim, e pronto. Lógico, a terapia não deu certo porque não tinha qualquer problema comigo. Só estava, culturalmente falando, na turma errada.

Voltando à madrugada de sábado, estava eu muito concentrado no videogame quando um infeliz estaciona o carro aqui perto de casa e liga, a todo volume, um Zezé di Camargo & Luciano. Em tempo, adoro música sertaneja: Pena Branca & Xavantinho, Tião Carreiro e Pardinho, Raul Torres… pra mim, Zezés, Luans, Limas, é tudo uma cambada de baitola que toca para multidões acéfalas.

Além disso, calculem o grau de infelicidade de uma turma de marmanjos, bêbados e sozinhos ouvindo música de corno às duas da manhã. Depois de ouvir duas músicas, chamei a polícia.

– Está incomodando muito? – perguntou a atendente do 190.

– Incomodando? – respondi – tipo assim, se eu tivesse uma metralhadora ia até lá e atirava em todo mundo.
– Vou encaminhar uma viatura. O senhor deseja fazer contato com a viatura?

– Não faço questão, mas pede para os policiais descerem a borracha nesses caras, por favor.

Em 15 minutos, ouço os idiotas desligando o som, batendo as portas dos carros e saindo, nervosos, cantando pneus. O silêncio estava de volta.

No dia seguinte, levei uma bronca da minha esposa.

– Você nunca deve dizer para a polícia que tem vontade de atirar em alguém.

– Foi mal – respondi – eu queria dizer que “se eu tivesse um sabre de luz, ia até lá e decapitava a todos”, mas achei que a atendente não fosse entender. E eu perderia a piada.