Equipes para se lembrar – Seleção de 2002


Felipão no comando da Seleção pentacampeã, em 2002. Foto: Alaor Filho, Agência Estado

Aproveitando a onda Felipão, que deve ser anunciado amanhã como o novo treinador da Seleção Brasileira, quero fazer mais uma postagem da série “Equipes para se lembrar/ Equipes para se esquecer”. Essa postagem é referente ao melhor time que já vi jogar  (só nasci em 1978), o Brasil de 2002

Comandado por Luis Felipe Scolari, o time que chamo de “o melhor que eu já vi” tinha a medida ideal entre o equilíbrio do elenco e sincronização tática. Sempre disse que o Brasil tem jogadores tão fortes tecnicamente, que, se colocar a Xuxa no comando, corre o risco de ficar entre os 16 melhores de uma Copa do Mundo.

Quando se consegue um mínimo de coesão, o resultado é uma equipe difícil de ser vencida. Quando se consegue aumentar esse nível mínimo de coesão, temos o bom futebol.

Quem duvida ou acha exagero, que reveja a final da Copa de 2002, entre Brasil e Alemanha.

Separei um link com dos melhores momentos. A imagem não é das melhores, mas dá para se ter uma noção.

A grande pressão/ desconfiança sobre o time de Felipão era a formação. Parece que uma seleção escalada com três zagueiros doeu no coração dos futebolistas mais nostálgicos. Mas aquele 3-5-2 era meio “de mentira”, como se diz na gíria do futebol. Aquele time jogava mesmo no 4-3-3.

Edmilson deixava de ser zagueiro e passava a fazer dupla com Gilberto Silva, e Kleberson assumia a função de armador (foi um dos jogadores que mais apareceu na final contra a Alemanha), com o trio de Rs no ataque. O torcedor deve se lembrar que, na estréia contra a Turquia, Felipão escalou Juninho Paulista, que depois saiu para dar lugar ao meia, hoje no Flamengo. Juninho não tinha a mesma versatilidade para variar entre as duas formações. Versatilidade também foi o diferencial de Edmilson na ocasião. Ele nem era a melhor opção seja para a zaga, seja para a cabeça de área.

Quando o Brasil era pressionado, Edmilson jogava como zagueiro e Kleberson como volante. Roberto Carlos e Cafu ajudavam na marcação e eram opções de velocidade para armar um contra ataque.

no mapa à esquerda, a formação 3-5-2; à direita, a formação 4-3-3

Com 5 minutos e 31 segundos do vídeo da final contra a Alemanha, tem a jogada do primeiro gol. Começa com um lateral batido por Cafú no campo de defesa. Ele cobra alto para Kleberson, rente à linha de lado, cabecear para o meio, onde, ainda no campo de defesa, Gilberto Silva aparece com liberdade e de frente para o gol adversário. Ele faz o passe para Ronaldo, aberto pela esquerda. Quando ele recebe, já dá pra ver Roberto Carlos passando por ele para receber um lançamento, e Rivaldo na entrada da área, se posicionando como centro avante.

O Fenômeno perde a bola, mas recupera na sequência e toca pra Rivaldo. Quando o camisa 10 recebe, já tem Kleberson e Ronaldo passando em velocidade. Mas ele chuta e dá origem à mais famosa das falhas de Oliver Kahn.

O lance do segundo gol também é interessante. São 40 segundos de bola correndo, com início aos 7 minutos e 18 segundos do vídeo. O segundo gol do Brasil começa também nas mãos de Oliver Kahn. Dessa vez, não porque falhou, mas porque foi o último alemão a tocar na bola.

O goleiro recebeu uma bola recuada e fez o lançamento para o ataque. A zaga recupera, em uma bola que sobra com Cafú. Ele domina e toca rápido no meio para Kleberson, que avança abrindo pela direita e dando espaço para o ataque brasileiro.

No momento do passe, ele tinha três opções: o próprio Cafú, como ponta direita, Rivaldo pelo meio, e Ronaldo pelo lado esquerdo. Ele toca para o camisa 10.

Já traumatizem com a troca de técnico da Seleção. Da última vez, noticiei Muricy e pra minha sorte o jornal não foi pra gráfica nas três horas entre o convite e a recusa. Sendo assim, amanhã, depois da confirmação oficial, vou postar uma análise desta segunda passagem de Felipão pela Seleção Brasileira.