Notas sobre a Lei de Murphy


Edward Alvar Murphy Junior, capitão da Força Aérea Americana durante a Segunda Guerra Mundial

 

 

 

Ou

 

“Maldita bobina!!!”

 

“Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”. Esse é o resumo popular da Lei de Murphy, que é implacável e pode ser aplicada a diversas situações, mais objetivamente, por exemplo, que as empíricas teorias de comunicação social. A fórmula para sua aplicação é “o que der errado será da pior maneira, no pior momento.

E quem é esse filho da p… desse Murphy? Não é o Edie Murphy. É Edward Alvar Murphy Junior, capitão da Força Aérea Americana durante a Segunda Guerra Mundial. Curiosamente – pra quem não acredita em destino – foi a vítima conhecida de sua própria lei.

Ele era um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos da desaceleração rápida em piloto de aeronaves. Construiu um equipamento que registrava os batimentos cardíacos e a respiração dos pilotos. O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu uma pane. Chamado para consertar o equipamento, descobriu que a instalação estava toda errada, daí formulou a sua lei que dizia: “Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”.

 

 

Aplicações populares:

 

Se você sai no meio do banho para atender o telefone, ele pára de tocar quando estiver a centímetros da sua mão.

 

A informação mais necessária é sempre a menos disponível.

 

A fila do lado sempre anda mais rápido. Mudar de fila faz com que imediatamente a fila de onde você saiu comece a andar mais depressa.

 

O esforço feito para se pegar algum objeto em queda causará mais destruição de que se deixássemos o objeto cair naturalmente.

 

Todo arame cortado no tamanho indicado será curto demais.

 

 

Dia desses eu estava com uma pressa dos infernos, em um final de tarde que estava num calor dos infernos. Na linha reta entre a minha casa e o compromisso, existe um mercado. Que está sempre com estacionamento lotado e com mais clientes do que consegue atender.

Naquele dia passei e vi que o estacionamento estava vazio. “Um pouco de sorte nunca fez mal a ninguém”, pensei. Pensei que talvez desse tempo. Estacionei. Entrei. Miraculosamente, eram poucos clientes, apesar do horário de pico. “Sorte. Sorte”, comemorei.

Comprei as coisas de que precisava. Era ninharia, dois “porcaritos”, duas latinhas de refrigerante. A conta, R$ 7,80.

Achei um caixa quase vazio e fiquei na quase fila. Estava tudo dando tão maravilhosamente certo que quase me ofereci para pagar o saquinho de sal que o garoto da frente estava comprando, provavelmente para garantir o salgado da janta. Ele ia pagar em moedas de R$ 0,05 e R$ 0,10. E contou uma por uma. Mas estava tudo dando tão certo que não dei importância.

O moleque finalmente conseguiu pagar o sal e foi embora. Era a minha vez. A atendente praguejou em voz baixa, olhou para a minha cara e fez um semblante de pesar.

– Acabou a bobina.

Demorei para entender que era a bobina de papel da maldita caixa registradora.

– Eu te dou o dinheiro, você me dá o troco, eu vou embora e você resolve.

– Sem ela o sistema não faz a conta.

– Então troca – comecei a me impacientar.

 

A mulher se levantou e foi até um canto da loja, destinado aos agentes administrativos. Logo veio outra mulher e trocou o impiastro. A caixa voltou, deu um sorriso confiante e registrou valor de entrada e saída. Apertou “Enter”. E o papel da bobina nova saiu em branco.

De novo ela fez a cara de paisagem, mas ao notar minha expressão aflita, levantou-se e foi resolver o causo da bobina sem que eu precisasse falar nada. Em poucos minutos, cerca de meia dúzia de funcionários estava no caixa debatendo a solução para o problema.

“Calma. Em último caso você deixa as mercadorias e vai embora”. Coisa de louco, literalmente. Mas foi um excelente teste – com resultado positivo! – para quem está em pleno tratamento contra os transtornos da ansiedade.

Esperei, esperei, até que resolvi interromper.

– Com licença, me perdoe por insistir – me esforcei para não ser rude, acho que consegui – mas porque eu não posso pegar o troco e ir embora?

– Por que eu não sei de quanto é o troco – respondeu a caixa.

 

Contei até dez, mais uma vez, tentei não ser rude.

– O troco? Se eu te falar de quanto é o troco você me deixa ir?

– Sim.

Contei até cem. “Revelei” o valor do troco. E fui embora.