A saga das 14 cadeiras


Lençóis Paulista ainda está digerindo a definição sobre quem vai sentar nas 14 cadeiras mais importantes da cidade: as duas do Executivo (prefeito e vice) e as 12 do Legislativo. Os ocupantes dessas cadeiras são responsáveis diretos por muito do que vai acontecer na cidade até 2016. E, é claro, cabe uma análise antes que essas 14 pessoas assumam seus assentos (detalhe: quatro deles já estão assentados e foram reeleitos).

Vamos começar por quem ficou de fora. O atual vereador Carlos Pacola (PV) é um dos melhores parlamentares que eu já vi passar pela Câmara de Lençóis Paulista. Um legislador sóbrio e íntegro, no nível do também advogado Paulo Lídio Temer Feres (vereador de 2001 a 2004). Como bom vereador que foi, foi atrapalhado pela própria sobriedade e discrição, e acabou não sendo reeleito.

Na verdade, não é nem tanto culpa do Pacola – que fez campanha direitinho – e nem do seu eleitorado, já que ele teve uma quantidade de votos bem próxima da que o elegeu em 2008 para uma Câmara com 10 cadeiras. No entanto, esperava-se que o vereador mais votado, Ailton Tipó Laurindo, tivesse pelo menos mil votos a mais, garantido três cadeiras para o PV, em vez de duas.

Uma pena Lençóis ter perdido mais um bom vereador, mas não é novidade. Da mesma forma perdemos Paulo Lídio e Edson Fernandes, outros vereadores de primeira qualidade que passaram pelo Legislativo, mas não conseguiram a reeleição.

Dos reeleitos, a surpresa foi o Gumercindo Ticianelli Junior (DEM). Ele estava em uma coligação relativamente fraca, que só faria um ou não faria nenhum vereador. E aparentemente as intenções de voto de outros candidatos daquela frente eram maiores. Mas as urnas o gabaritaram para o seu terceiro mandato.

As reeleições de Nardeli da Silva (PSC) e Manoel dos Santos Silva (PMDB), o Manezinho, não foram surpresas. Esperava-se mais votação de ambos, mas nunca se pode esquecer que a atual Câmara é uma das piores de todos os tempos e natural seria (como foi) que o eleitor resistisse em votar pela reeleição dos seus componentes.

As eleições 2012 foram marcadas pela participação de uma série de novatos na vida pública. Talvez motivados pela crise no Legislativo, temperada com a célebre frase “para que os maus triunfem, basta o silêncio do bons”.

Nunca vi tanta gente que nunca tinha se envolvido colocar seu nome à disposição. E gente de projeção na sociedade, gente de patrimônio considerável e que teria mais o que fazer além de ser vereador. Acho que essa é uma vitória a ser comemorada e um sério indicativo de que as coisas tendem a melhorar. Emerson Coneglian (PSDB) e Humberto Pita (PR) são dois exemplos desse caso que citei e que, até que eles mesmos provem o contrário, serão excelentes reforços para a vida pública.

André Sasso (PSDB), o Cagarete, leva jeito para a vida pública e sua candidatura aconteceu de forma natural. Teria sido eleito em 2008 se caísse em uma coligação mais forte. Agora melhor posicionado no jogo político, foi eleito com sobras. Jonas (PSC), José Santana, o Dodô, e Chico Naves (ambos do PSDB) são bons exemplos de perseverança.

Tipó é uma grande liderança, sempre fez bastante diferença no Legislativo. Teria sido eleito prefeito em 2008 se tivesse um corpo de campanha mais sóbrio e conselheiros mais equilibrados. Acredito que, se ele tiver juízo e paciência, tende a ser uma referência da oposição para eleições futuras e, fatalmente, vai acabar chegando ao Executivo, mais cedo ou mais tarde.

Por fim, Anderson Prado (PV), meu amigo de quase 20 anos, que resolveu meio que de sopetão, colocar seu nome à disposição do eleitorado. Eu, inclusive, o aconselhei a não se meter com isso. Teimosia premiada de alguém que, ao longo dos últimos 90 dias, demonstrou serenidade e um conhecimento avançado do debate político. Também vai melhorar, e bastante, a qualidade dos homens públicos.

Coroné Bentinho (PR). Não há o que comentar, assim como não há comentários sobre a eleição do Tiririca para deputado federal. Também não há o que esperar nem o que cobrar dele, propriamente dito. Atenção: não tenho nada contra a pessoa nem condeno sua vontade de participar do Legislativo. Mas, em tempos de mobilização popular, acho que o povo tem que cobrar das pessoas que o inventaram para a política e que julgaram que Lençóis Paulista mereceria ter o seu tiririca.

Logo eu volto comentando os resultados da eleição majoritária.