O voto útil é o seu, voto de protesto é o voto certo


Cristiano Guirado é jornalista

guirado@jornaloeco.com.br

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Se uma comunidade tiver que protestar por causa de uma pinguela mal construída, o que seria mais sensato? Reivindicar uma pinguela melhor – ou uma ponte, pelo amor de Deus, em pleno século 21 – ou explodir de vez a pinguela?

Pois é. Ao fazer o voto de escracho, os imbecis autores desse tipo de postura batem no peito orgulhosos adotando o jargão do personagem que ficou marcado como o cúmulo do voto de escracho, também chamado de voto de protesto: “pior do que está, não fica”.

Fica sim. Trabalhando na imprensa com a cobertura dos trabalhos legislativos desde 1999, eu sei melhor do que poucos que em termos de composição de Câmaras, nada é tão ruim que não possa ser piorado. Prova disso foi um artigo que escrevi depois da última sessão do Legislativo do mandato passado, dizendo que dificilmente existira um pior. E veio o atual Legislativo e provou o quanto eu poderia me enganar com esse tipo de presunção.

“Efeito Tiririca” foi o nome que os analistas políticos deram à idiotice da opção pelo voto de escracho, imbecilmente chamado de voto de protesto. Eleger um palhaço – a profissão do Tiririca é palhaço – semianalfabeto para a Assembléia Legislativa Federal ajudou em quê? Protestou de que forma?

Ao votar nos tiriricas da vida, os ridículos orgulhosos que fazem graça da opção que fizeram só conseguem uma coisa: colocar no Legislativo um parlamentar fraco, que vai ser manipulado pelos mais experientes e deixar seus imbecis eleitores sem representação. E o que pior, diminuindo a força dos eleitores que levam a sério a questão da representação.

Sei que é sonho meu tentar, de última hora, impedir que Lençóis entre para a lista das cidades que vão eleger o seu tiririca. Da mesma forma que foi falha minha subestimar a capacidade do eleitor lençoense de ser fútil a ponto de aderir ao “efeito tiririca”. O estrago está feito.

Mas esse texto é só uma forma de fazer meu mea culpa. E espero que todos os outros eleitores e candidatos lençoenses também assumam sua parcela de responsabilidade por isso. Uns por – como eu – subestimarem o “efeito tiririca”, outros por incentivá-lo e fortalecê-lo. Até porque não vou ser ingênuo (dessa vez) a ponto de acreditar que essa será a única vez.

Até porque, todo povo tem os governantes que merece. E como disse um amigo neste mesmo espaço, todo reino tem o seu palhaço. E os seus bobos da corte.

 

 

 

 

 

artigo publicado hoje, 5 de outubro de 2012, no jornal O ECO