Aconteceu nas eleições…


2012 talvez tenha sido o  primeiro que termina sem problemas entre a imprensa e as equipes de campanha durante o processo eleitoral. Em todas as eleições acontece: hostilidade e ameaças contra os profissionais da imprensa. O que é a combinação de duas grandes idiotices, a primeira a intimidação em si, a segunda, intimidar achando que o jornal muda resultado de urna. Em um país onde 70% da população não entende um texto com mais de dez linhas, achar que um impresso decide uma eleição, é idiotice, não conheço outra palavra.

Essa é a quarta eleição municipal da qual participo da cobertura jornalística. E quase me arrisco a dizer que, neste ano, não houve problemas entre a imprensa e os cabos eleitorais em Lençóis Paulista. 2008 foi o pior ano de todos. E por isso merece um “aconteceu nas eleições” só pra ele, porque o causo de hoje veio das eleições 2004.

 

Todas as campanhas que disputaram contra o Marise e contra a Bel foram hostis com a parte da imprensa que eles julgavam marisista. Mas a de 2004 tinha um tom dramático que dava gosto. Inclusive, alguns me diziam abertamente que o candidato da oposição só falaria com o jornal concorrente, porque o concorrente era isento.

No último comício, no Núcleo, um dos membros da alta cúpula da campanha estacionava o carro quando eu passei logo atrás dele. O cara me viu no retrovisor e engatou a ré. Eu vi as luzinhas brancas acenderem e resolvi facilitar a vida dele: parei e esperei. Ele me olhou de novo no retrovisor, engatou a primeira e terminou de estacionar.

Depois eu descobri que dois profissionais do concorrente foram de casa em casa pedir voto pro candidato da oposição.