A Coca-Cola é a Coca-Cola à toa? Ou não?


senhoras e senhores leitores do Blog do Guirado, em primeira mão o artigo que será publicado na edição de amanhã do jornal O ECO.

Artigo

 

Os mistérios de uma marca

 

Cristiano Guirado é jornalista

http://www.blogdoguirado.wordpress.com

 

Coca-Cola, Apple, Vivo, Santander, Nike e Shell. Uma empresa alimentícia, uma de tecnologia de informação, uma de telecomunicações, uma instituição financeira, uma marca de material esportivo e uma empresa de geração de combustíveis. Dou uma balinha para quem descobrir o que essas empresas, que oferecem produtos e serviços tão diferentes umas das outras, tem em comum, além do simples fato de serem multinacionais.

Acertou aquele que respondeu “o trabalho de promoção da marca”. O capitalismo fora das capitais e dos grandes centros econômicos segue um funcionamento peculiar. E nesta característica própria do sistema que rege as relações financeiras da sociedade, existe um grande sofrimento em comum dos empresários e dos comunicadores.

Os empresários sofrem porque não conseguem desenvolver, plenamente, todas as potencialidades de sua marca, conseguindo como resultado disto, o aumento nas vendas. Os comunicadores sofrem porque não conseguem desenvolver, plenamente, todas as potencialidades da marca do cliente, apresentando a este os resultados concretos do investimento feito em comunicação.

É estranho que duas frentes econômicas, aparentemente com os mesmos interesses, não consigam se entrosar? De fato é. Mas é perfeitamente explicável. Posso falar sobre as peculiaridades do interior paulista, que é contexto onde estou inserido. Mas tenho certeza mais do que absoluta que vários comunicadores de outros sertões brasileiros, seja no Norte, no Sul e no Nordeste, tem observações parecidas a serem feitas sobre as peculiaridades de cada contexto.

As relações econômicas do interior são marcas pelo conservadorismo, herança da influência da estrutura patriarcal das famílias européias que imigraram para o Brasil e que, por conta da demanda por mão de obra na lavoura, acabaram por se instalar fora dos grandes centros urbanos. E – as que não faliram, é claro – por ali prosperaram e deram origem à estrutura econômica que sustenta a engrenagem social das comunidades na aurora do século 21. Em Lençóis Paulista é assim, em Agudos é assim, em Macatuba é assim. E assim funciona também em muitas das cidades fora do raio de circulação do jornal O ECO.

Tecido o pano de fundo histórico, é importante jogar no conservadorismo a culpa pela falta de visão da importância da comunicação na “vida” de uma marca. Muitos empresários colocam o valor da sua marca em segundo plano e priorizam o valor de sua mercadoria. Nessa ótica, a comunicação se resume ao “vitrinismo”. Ou seja, se o sujeito anuncia no jornal, revista, rádio, TV, outdoor etc, um determinado produto ou serviço, e o que foi anunciado foi, de fato vendido, a propaganda deu certo. Do contrário, deu errado.

Não é insânia alguma afirmar que uma fatia significativa da indústria e comércio das cinco cidades no raio de circulação do jornal O ECO em algum momento já investiu em comunicação e não tirou desse investimento, resultados que o justificassem. Cenário que levou esses empresários a observarem e deduzirem que gastas com comunicação no interior não é tão necessário, ou que é melhor colocar um carro de som gritando uma promoção nos ouvidos do cliente do que tentar ganhar a sua confiança.

O que tudo isso tem a ver com as marcas citadas no primeiro parágrafo? Coca-Cola, Apple, Vivo, Santander, Nike e Shell. Elas estão entre as que mais investem em propaganda no mundo, e também estão entre as que mais vendem. Perguntas que devem respondidas. Elas precisam anunciar seus produtos? É natural que o consumidor pense, naturalmente, em tomar um refrigerante cola, comprar um tablet ou uma chuteira de outras marcas?

E sendo tão poderosas e destoadas da concorrência na preferência popular, por que elas ainda investem em propaganda? E, por último, pense em mais uma resposta: quem compra um produto, compra o produto ou conceito nele contido?

Ficou em dúvida? Sinal mais do que claro que, independentemente do tamanho de seu empreendimento, você precisa de um profissional da comunicação.