A calmaria incomum


Só de eleições municipais eu tenho quatro no currículo. Nunca participei de uma, nunca fui candidato a nada. Mas as conheço melhor do que muita gente que, depois de mim, já surgiu para a vida pública e que, antes de mim, já desapareceu dela. A cobertura jornalística, às vezes, dá uma visão mais ampla do processo eleitoral do que a participação direta nele.

Quem está envolvido pode não perceber, já que cada um convive e trabalha, basicamente, em seu colégio eleitoral. Mas para quem está fora do jogo, o cenário é claro: a cidade vira uma praça de guerra. Os grupos políticos são como milícias tentando tomar o controle do município. Assim é o jogo, muitos dos que jogam sabem das regras. E gostam dela. A vitória, em vez de tomar a bandeira, é tomar o voto do adversário.

As eleições 2012 vão ser um capítulo a parte. A disputa tem um grupo político grande e forte, outro menor e em vias de formação, e várias lideranças isoladas, aglomeradas (ou não) em torno de lideranças periféricas. Isso reflete e muito na qualidade da campanha nas ruas, com a necessidade menor de se atrapalhar um adversário.

A política faz muita gente lucrar a cada quatro anos, trabalhando para produzir material de campanha. Mas tem lá os seus cinco ou seis profissionais, que, em campanha ou não, trabalham diretamente com a engrenagem política de Lençóis Paulista.

Há poucos minutos eu conversava com um deles:

– E ai? Muita bucha? – perguntei

– Ah rapaz, tem nada. Eu nunca vi uma campanha igual a essa – respondeu, um tanto quanto decepcionado – não acontece nada!