A matemática das eleições: o mistério das coligações e do quociente eleitoral


 

 

 

 

 

Para melhor jogar o jogo político/eleitoral é preciso conhecer a fundo suas regras. Eu sugiro que, quem está perdendo, que trate de aprimorar sua “jogabilidade”. E no jogo eleitoral advinha quem está perdendo? Exato: o povo.

Um dos principais mistérios da eleição é o quociente eleitoral, como ele acontece, como ele é calculado e, o que é pior, como ele decide em favor de um candidato que teve menos votos que o outro. As coligações são outro mistério.

É normal encontrar gente que quer impedir a reeleição de um vereador e vota em outro candidato do mesmo partido ou coligação. Ou do mesmo bairro. Para fazer melhor uso estratégico de seu voto, é preciso conhecer as regras do jogo.

O cálculo do quociente eleitoral é relativamente simples e começa dividindo o número de votos válidos pelo número de cadeiras em disputa no município. O resultado desta conta é a quantidade de votos que o partido ou coligação tem que fazer para não ficar de fora. É normal que candidatos bem votados não sejam eleitos porque o partido não atingiu o quociente eleitoral.

Tomando por base a eleição em Lençóis Paulista. A cidade deve ter uns 43 mil votos válidos, divididos por 12, dá mais ou menos uns 3,5 mil votos. O partido ou coligação que não somarem esse votos, estão fora.

Agora começa o rateio das cadeiras. A votação de cada partido ou legenda deve ser dividida pelo quociente eleitoral, desprezando as frações. Por exemplo, uma coligação Y teve 14 mil votos, dividindo pelo número do quociente eleitoral, dá quatro.

Quatro é o quociente partidário. É com esse número que partidos e coligações vão começar a completar as vagas no Legislativo. As sobras são preenchidas por outro número, a média. Este número é a divisão do número de votos de cada partido pelas vagas conquistadas por ele. O partido que conseguir a melhor média é o primeiro da fila para preencher as cadeiras da sobra.

 

Análise das coligações

Vou me atrever até a fazer uma análise de coligação por coligação. É claro que isso é só a minha análise, que tem muito da minha opinião pessoal. Não é porque eu escrevi que vai acontecer, que vai acontecer. Aliás, antes fosse assim. E ainda temos as zebras (no jogo eleitoral elas também existem), ou seja, os candidatos com quem ninguém contava surgindo com boas votações e candidatos que muitos davam como eleitos e que acabaram sendo mal votados.

 

 

PPS/DEM

Essa coligação conta com o vereador Gumercindo Ticianeli Junior (DEM). Dificilmente consegue eleger mais de um vereador.

 

PR/PMDB/PHS

É uma coligação que tem três vereadores na Câmara, os dois “Adilsons” (Bernardes e Acácio) no PMDB e Claudemir Rocha Mio, o Tupã, no PR. Se fosse futebol, seria uma espécie de “grupo da morte”, porque é bem possível que essa frente partidária eleja três nomes, e além da briga entre os três já eleitos, o PR tem Jacob Joner Neto, o Jacó Gaúcho, que é sempre bem votado.

 

PC do B

Duvido que consiga atingir o coeficiente eleitoral.

 

PTB/ PSDC

Duvido que consiga atingir o coeficiente eleitoral.

 

PV/PTN

Coligação que vem com o ex-vereador Ailton Tipó Laurindo, que quando concorria à Câmara, estava sempre entre os mais votados. Essa frente também tem o vereador Carlos Paccola, que concorre à reeleição. Dificilmente esta coligação elege mais do que dois parlamentares.

 

PP / PT / PSL / PSC / PSB

Essa é a coligação do atual vereador Nardeli da Silva (PSC), que sempre aparece entre os mais votados. É outra coligação que não deve passar das duas cadeiras.

 

PRB / PRP / PSDB / PSD

O PSDB, da chapa majoritária situacionista Bel e Marise, montaram um dos times mais fortes já vistos na disputa eleitoral, e se a oposição bobear, o partido pode eleger metade das doze cadeiras para o próximo mandato. Na luta para continuar na Câmara estão os tucanos Manoel dos Santos Silva, o Manezinho, e Ismael de Assis Carlos, o Formigão.

 

PSol

É uma incógnita. O partido disputa as eleições proporcionais com seis candidatos o que, a grosso modo, exigiria que cada um deles tivesse pelo menos 600 votos. É bastante difícil. Mas a campanha do PSol é a menor rejeição das campanhas eleitorais até agora, e tem tudo para crescer até o dia da eleição. Se atingir o coeficiente eleitoral, o PSol elege pelo menos um vereador.