A engrenagem por trás da engrenagem


 

 

A prosa sobre as bandeiras não começa nas bandeiras, mas sim, na maravilha moderna chamada Divulga Cand (http://divulgacand2012.tse.jus.br), um site do Tribunal Superior Eleitoral que tem os dados de todos os candidatos a todos os cargos eletivos, inclusive, os gastos previstos em campanha.

Há uns 40 dias, passei o dia calculando quanto ia ser gasto em campanha nas cinco cidades onde circula o jornal O ECO. A matéria não chegou a ser publicada, mas os valores chegavam perto dos R$ 7 milhões, somados os investimentos em todos os municípios.

Pra não ficar muito grande o artigo, vamos falar apenas das eleições em Lençóis. Mas antes, vamos nos perguntar: onde o candidato gasta dinheiro na campanha? Combustível, os famosos santinhos, alguns fazem um informativo, as placas, os malditos jingles e as bandeiras, que deram origem a essa discussão.

Quem imprime o material de campanha e quem vende o combustível, todo mundo sabe: gráficas e postos. E quem faz? Quem programa os layouts, escreve as idiotices que os candidatos falam nos carros de som e, inclusive, escolhe a gráfica ou o estúdio (em alguns casos, até o posto) onde isso vai virar campanha?

Acertou quem respondeu “os comunicadores”, ou marketeiros, como o Duda Mendonça, que o Maluf e depois o Lula se encarregaram de tornar famoso. Em tese, vender a ideia de que um candidato é melhor do que o outro é um processo bem parecido quanto o de convencer o consumidor a comprar um carro, ou uma pasta de dente, da marca X ou da marca Y.

Outro lado que deve ser levado em conta é o dos grupos políticos. Lençóis tem dois bem definidos. Um deles começou a se estruturar na segunda metade dos anos 1990 e que está no poder desde 2001, o outro, bem menor e mais novo, é formado pelo Psol e seus simpatizantes. O resto, por mais densidade eleitoral que tenha (e tem) é política esparsa, sem liderança e sem comando.

Em um grupo político tem de tudo. Tem gente boa, tem gente ruim, tem gente pacata, tem gente violenta, tem brucutus e intelectuais, proletários e empresários.

Jornais, rádios e TV são empresas. E como tal, precisam arrecadar, ou falir. O cara que falou que a imprensa tem que ser imparcial nunca pegou um jornal na mão, nem pra forrar gaiola de passarinho. Cada grupo político fortalece a sua imprensa, que sustenta e defende, ideologicamente, a candidatura que representa esse grupo.

O que isso tudo tem a ver com o material de campanha? É uma pergunta que o próprio leitor responde, ao se fazer outra pergunta: quem faz a imprensa? Os comunicadores. Lembra deles?

Todo e qualquer material de campanha tem um custo. É dinheiro que entra e ajuda a fortalecer os núcleos de comunicação. É verba injetada para que a imprensa continue a fortalecer o grupo político do qual faz parte.

Por isso existem as bandeiras, os santinhos que tanto sujam vossos quintais e os malditos jingles que irritam qualquer um. Todos os profissionais envolvidos pertencem ao grupo político que ajudam a divulgar. Cuidando para que o dinheiro injetado fique no grupo, ele se fortalece e cresce. É um jeito de chegar ao poder que vai além de simplesmente conquistar o voto da população.

Olhando assim parece fácil de entender. Se o povo gostasse tanto de política quanto gosta de futebol, saberia na ponta da língua todas as regras e artimanhas do jogo eleitoral. Nada disso precisaria ser explicado. E o Brasil seria um país melhor.