As eleições da burrice – pensar é difícil


 

Galera, fiz uma grande entrevista com o professor Celso Zonta, formado em psicologia, com mestrado e doutorado em Psicologia Social, com especialização em Comportamento Político. Ele comprova a minha tese de que pensar é para poucos. A entrevista vai ser publicada amanhã no jornal O ECO, mas não vou resistir a adiantar um trecho dela. É uma resposta sobre o significado das pesquisas eleitorais.

 

É como se fosse uma fotografia de momento. Amanhã não se vai conseguir a mesma posição e o ambiente também já terá se modificado. Tudo se movimenta. A opinião pública se movimenta rapidamente. As pesquisas de opinião são a superfície do comportamento do sujeito. O sujeito se comporta na sociedade a partir do seu universo de valores e do seu grau de consciência e da estruturação de sua identidade e sua r elação com o mundo. Ele vai construindo isso e formando sua matriz de identidade, seu universo valorativo e sua consciência social. Isso produz uma estrutura menos mutável, mas no dia a dia do senso comum as pessoas não respondem pela sua consciência, respondem pela superfície, a opinião. Quando a pessoa vai responder se gosta ou não de determinado sabonete, se prefere tal coisa em relação à outra, nem sempre acessa sua consciência e universo valorativo para emitir a opinião. Aliás, as pessoas emitem opiniões de maneira muito apressada e superficial, até mesmo por conta de nossa vida que é, em geral, alienante e faz com que o indivíduo faça uma espécie de economia de pensamento e responder de maneira automatizada. A maior parte das pessoas é assim.