O Assassinato do Promotor – Parte IV


 

Atenção: essa história é uma ficção. Ninguém morreu, ninguém matou. Só tomo a liberdade de usar os personagens da vida real e contextualizá-los porque convivem comigo. As autoridades existem, mas tiveram seus nomes trocados.  

boa leitura e força sempre!

 

A cena do crime

 

Lençóis Paulista, sexta-feira, 9 de março de 2012, 16h50.

 

A polícia havia interditado o trânsito na rua 9 de Julho e na Avenida dos Estudantes até duas quadras acima da avenida Padre Salústio Rodrigues Machado. Uma medida para evitar a aproximação de curiosos, que se aglomeravam nos cordões de isolamento nas ruas Major Esperidião de Oliveira Lima Machado e São José, para tentar ver a novidade do dia.

Estava quebrada a monotonia. Haviam atirado no promotor!

Uma figura com as roupas sociais desalinhadas e os cabelos de uma viagem aérea, vinha caminhando pela avenida Padre Salústio. Atravessou o cordão de isolamento na junção com a Avenida dos Estudantes, onde a concentração humana era quase nula. Sem olhar para os lados ou diminuir o passo, mostrou um distintivo para o policial militar que fazia a guarda do território. E passou sem maiores problemas, acompanhado de outras duas pessoas. Ficou a poucos passos da entrada dos fundos do prédio do Fórum, onde o tiro havia sido dado.

 

Em uma rodinha, dois delegados e dois investigadores de polícia conversavam sobre a ousadia do crime, quando foram interrompidos.

– Como foi? – perguntou a voz que vinha de poucos passos longe deles.

– Você é o cara que mandaram de São Paulo – perguntou um dos delegados.

– Sou eu mesmo.

– Não sabemos como ainda –agora era um dos investigadores que falava – mas o autor estava próximo da vítima, tanto é que a abordou quando ela ainda descia do carro. Depois de alguns passos na direção da porta, o autor sacou a arma e desferiu um único disparo. No coração. A bala é calibre 32.

– Como ele estava tão perto? – perguntou Jonas.

– Estava à espreita e atravessou antes do portão eletrônico se fechar. É o único jeito – disse o outro delegado.

– Câmeras de vigilância?

– Nenhuma imagem conclusiva.

– Ele atravessou o portão – disse o paulistano, consigo mesmo – ou já estava aqui dentro.

– Dificilmente teria alguém armado aqui dentro sem levantar suspeitas.

– Algum suspeito?

– Temos uma lista com centenas de nomes – continuava o delegado – doutor Sanches era um promotor linha dura. Muita gente gostaria que ele não existisse.

– Algum preso?

– Pedimos a prisão preventiva de dois ou três que podem nos dar pistas.

– Não sei se atirar no promotor seja algo que alguém contrataria outra pessoa para fazer. Preciso falar com pessoas que conviviam com ele. Preciso de um relatório de cada um dos casos em que ele estava envolvido. E não deixem os suspeitos irem embora sem falar comigo. Mas, antes de tudo, preciso de um banho.