esses fabricantes de sonhos…


 

 

Os verdadeiros heróis da resistência

 

Ser um escritor no Brasil hoje em dia é quase tão ruim quando ser um vendedor de areia no deserto, com a diferença de que, às vezes, ele, o escritor, chega a ser tratado como um cristão na Roma antiga.

Lembro-me, certa vez, do dia em que participei de um evento do projeto Caravana Literária, em Lençóis Paulista, com a escritora Heloísa Prieto. Perguntei a ela qual era a fórmula para viver da literatura em um país que lê cada vez menos e cada vez pior.

Ela disse que não, que eu estava errado, que o Brasil lia sim, o problema é que os escritores não sabiam o que escrever para serem lidos. Para ilustrar a resposta, ela citou Paulo Coelho e as séries de livros Sabrina, Bianca e afins. E ainda por cima disse que minha pergunta era preconceituosa.

Na hora eu me revoltei. Levantei e fui embora. E fiquei com essa revolta entalada por um bom tempo até que, com o coração livre de mágoas, refleti e concluí que ela não deixa de ter razão. Se Augusto dos Anjos já dizia que “entre as feras o homem sente necessidade de também ser fera”, entre os medíocres, os bons tem necessidades se mediocrizarem para capitalizar.

Por mais que ela possa ter razão, ainda me nego a concordar. Só deixei de lado a revolta, propriamente dita. Ainda hoje, se me perguntam se sou escritor, digo que não, vivo de escrever, mas sou ativista.

Um ativista anti-mediocridade.

Meus sinceros votos de admiração a todos os escritores não medíocres deste mundo, sejam eles famosos, sejam eles anônimos. Todos são importantes em seus círculos sociais e – tudo tem seu tempo – todos serão importantes para o mundo em algum dia.

 

Força sempre!