Santos Dumont, o gênio do ar


 

Alberto Santos Dumont, nasceu em Palmira, Minas Gerais, no dia 20 de julho de 1873. Na infância, em Valença, no Rio de Janeiro, começou a dar mostras da “intimidade” que tinha com o ar. Com apenas um ano de idade ele costumava furar balõezinhos de borracha para ver o que tinham dentro.

Ainda criança, mudou com a família para Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Sua família foi morar na Fazenda Arindeúva – que logo passou a se chamar Fazenda Dumont – em poucos anos viria a ser o maior estabelecimento agrícola do Brasil. Com sete anos, Santos Dumont já guiava os locomóveis da fazenda, e aos doze se divertia como maquinista das locomotivas.

Dumont era encantando com as obras do escritor francês Júlio Verne, de onde tirou o desejo de conquistar o ar. Os submarinos, os balões, os transatlânticos e todos os outros meios de transporte que Verne previu com tanta felicidade, exerceram uma profunda impressão na mente do rapaz.

Era fascinado por tecnologia. A tecnologia o fascinava. Começou a construir pipas e pequenos aeroplanos movidos por uma hélice acionada por molas de borracha torcida. E todos os anos, no dia 24 de junho, ele enchia frotas inteiras de diminutos balões de seda sobre as fogueiras de São João. A próxima fascinação de Dumond seria a França. Através dos escritores Camille Flammarion e Wilfrid de Fonvielle, conheceu a história da navegação aérea.

Aos 18 anos, em 1891, fez uma viagem turística à Europa. Morou na Inglaterra e na França, onde escalou o Monte Branco, de altitude de quase 5 mil metros. No ano seguinte, emancipado pelo pai, voltou à França e ingressou no automobilismo.

Em 1897, com 24 anos, Santos Dumont era herdeiro de uma imensa fortuna. Na França, contratou aeronautas profissionais que lhe ensinaram a pilotar balões. Simultaneamente, começou experiências de dirigibilidade. Ansiava por poder controlar o voo, e para isso desenhou uma série de balões alongados dotados de lemes e motores a gasolina. O primeiro dirigível projetado por Santos Dumont, o N1, foi inflado no Jardim da Aclimação de Paris, em setembro de 1898.

Famoso internacionalmente, em 1902  viajou aos Estados Unidos, onde visitou os laboratórios de Thomas Edison, em Nova Iorque, e foi recebido na Casa Branca, em Washington, pelo então presidente americano Theodore Rooselvet.

Em 1905, Santos Dumont construiu um aeromodelo de planador inspirado num protótipo auto-estável feito 100 anos antes pelo cientista inglês George Cayley. A primeira experiência, foi realizada no dia 13 de maio, no Aeroclube da França. No dia 8 de junho, no rio Sena, Gabriel Voisin subiu em um hidroplanador, rebocado por uma lancha pilotada. A 40 km/h, o aparelho ergueu-se da água, elevou-se a impressionantes 17 metros de altura e voou 150 metros. A era do avião estava próxima.

O 14-bis era uma máquina híbrida, um avião unido a um balão de hidrogênio para reduzir o peso e facilitar a decolagem.

 

 

 

A morte

Em 1910, Santos-Dumont começou a sofrer de esclerose múltipla. Envelheceu na aparência, encerrou as atividades de sua oficina e retirou-se do convívio social.

Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas do Império Alemão. Era o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos foram usados, primeiro para observação de tropas inimigas e depois, em combates aéreos.

Santos Dumont viu, de uma hora para a outra, seu sonho se transformar em pesadelo. Morando em Trouville, perto do mar, ele agora se dedicava ao estudo da astronomia. Sua saúde piorava e em 1915 decidiu voltar ao Brasil.

Já com depressão, doença que o acompanharia até os últimos dias, encontrou refúgio em Petrópolis. Permaneceu lá até 1922, quando visitou a França chamado por amigos. Em 1926 apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de aviões como armas de guerra. Chegou a oferecer dez mil francos para quem escrevesse a melhor obra contra a utilização de aviões na guerra.

Em 1931 esteve internado em casas de saúde na França. Antonio Prado Junior, ex-prefeito do Rio de Janeiro – exilado pela Revolução de 1930 – encontrou Santos Dumont em delicado estado de saúde, o que o levou a entrar em contato com sua família e a pedir ao seu sobrinho Jorge Dumont Vilares que o fosse buscar .

De volta ao Brasil,  em maio de 1932, instalou-se no Grand Hotel La Plage, no Guarujá.  Durante a Revolução Constitucionalista, aviões atacaram o Campo de Marte, em São Paulo. A visão de aviões em combate podem ter causado profunda angústia em Santos Domunt. Se aproveitando da ausência de seu sobrinho, suicidou-se no dia 23 de julho, aos 59 anos.