‘Meu nome é Forest Gump. E todos me chamam de Forest Gump’


Imagem que ficou eternizada na capa do filme, o banco onde ele passa a maior parte do tempo contando as histórias de sua vida

 

Semana passada publiquei um artigo no jornal O ECO (circulação em Lençóis Paulista, Agudos, Macatuba, Areiópolis e Borebi) sobre o filme Forest Gump, que dia desses assisti pela milésima vez no Tele Cine Memories. E fiquei com vontade de escrever mais sobre o filme, sem as limitações funcionais de O ECO e as limitações físicas de um artigo para veículo impresso.

No dia do lançamento desse filme (em 1994, se não me engano), eu estava em São Paulo. E tinha uma fila enorme no cinema do Shopping Eldorado. Fila que fazia com que os horários do filme fosse incompatível com a excursão de caipiras que foram daqui até a Pauliceia para ver uma exposição no MASP (Museu de Artes de São Paulo) e precisava voltar no mesmo dia.

Por duas horas a mais eu teria visto o lançamento do filme no cinema. E agora ele passa no Tele Cine Memories. Lá se vão quase 20 anos. Coisas da idade.

A crítica especializada exaltava o idiota na posição de herói do cinema, não mais como bobo da corte. E isso era novidade absoluta para a grade mídia da época. Mas desde o Iluminismo que tipos pitorescos – que expõem os nobres ao ridículo – ganham força e espaço na literatura. Suas armas não são espada e escudo, mas sim, a lábia, a inteligência.

A literatura de cordel (João Grilo, do Auto da Compadecida, por exemplo) tem esse tipo de estrutura. A construção dramática de Forest Gump não era tão novidade assim. Talvez fosse inédita em uma superprodução de Hollywood.

Clichês a parte – antes todo mundo clicheteasse coisas boas – Forest Gump é um filme brilhante, caricatando a passagem do protagonista por eventos importantes da história americana, desde o movimento hippie (com direito a arrumar briga em uma reunião dos Panteras Negras), passando pela Guerra do Vietnã, o escândalo de Watergatte e os assassinatos do presidente Kennedy e de John Lennom, entre outros.

A história de um ingênuo que serve como espinha dorsal para passagens importantes da história dos Estados Unidos. Emocionante e com uma trilha sonora mais do que perfeita, Forest Gump é o tipo de filme que, a cada vez que eu assisto, sinto-me como se estivesse vendo pela primeira vez.

A lição de moral do filme é simples.

Forest Gump nada mais é do que uma figura de desenvolvimento mental atrasado, para quem tudo deu maravilhosamente certo. Mais do que a pouca inteligência do personagem imortalizado por Tom Hanks (que aliás, lhe rendeu o primeiro Oscar de Melhor Ator), chama a atenção a sua pureza de espírito, a ausência de maldade em sua interpretação do mundo, sua ingenuidade mais do que infantil.

Prefiro pensar que o mundo conspira a favor dos homens de coração puro. Não quer dizer que todos vão ficar milionários. Aliás, em termos financeiros, a tendência é acontecer justamente o contrário.

Mas torço para que os desprovidos de malícia não abram mão de ser assim, mesmo depois que perceberem – como eu já percebi – que o futuro financeiro e profissional pode ser seriamente comprometido por essa condição. Por que a construção mais importante dessa vida é o nosso legado, a diferença que fazemos na vida das pessoas.

 

Gump dando entrevista na TV, “ao lado” de Lennom

 

 

…e no dia em que “conheceu” o presidente Kennedy

 

no Vietnã, com os amigos Buba e Tenente Dan

 

e depois em um evento do movimento hippie, contra a Guerra do Vietnã