A morte (no sentido social) aos analfabetos políticos


Bertolt Brecht

 

O analfabeto político

(Berthold Brecht)

 

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

 

 

É de doer ver a galera no Facebook protestando contra a divulgação de propaganda eleitoral nas redes sociais. Pra esse tipo de gente, nada melhor que esse texto do Berthold Brecht, escrito há mais de 50 anos, mas que é mais atual do que nunca.

E fica a pergunta: esse povo quer ver o quê? Fotos de família? Mensagens religiosas ou anti-religião? Textos engraçados de animais?

Acorda povo! O Brasil é uma merda (com o perdão da palavra) e não é de hoje. E essa falta de atenção à política é justamente o que os grandes ditadores tupiniquins queriam, desde Getúlio Vargas.

E é culpa de quem? Dos políticos? Não. De vocês! Os mesmos que falam com orgulho “odeio política”. A falta de atenção de vocês na hora de votar e a falta de cobrança sobre os homens públicos eleitos é que faz com que a maioria absoluta dos nossos homens públicos sejam canalhas hipócritas e corruptos.

Votar é obrigatório na nossa pseudo-democracia, mas não votar não dá nada. Pra quem precisa do título pra qualquer outra coisa (arrumar emprego, por exemplo), uma multa de R$ 3,50 resolve. Pra quem não usa o título nem pra isso, nem pagar a multa precisa.

Já disse várias vezes e repito: não gosta de política? Não tem tempo de acompanhar a vida pública? Fique em casa no dia 7 de outubro. Passe o dia postando e “curtindo” amenidades no facebook, o mesmo que você quer livre das campanhas eleitorais.

 

Não dá nada. Aliás, até ajuda.