De volta ao topo. Mas até quando?


Betinho comemora o gol de empate do Palmeiras contra o Coritiba no Couto Pereira

 

“Representa a recuperação profissional de todos nós”.

Essa frase é do técnico Luis Felipe Scollari, quando perguntado pela imprensa o que o título da Copa do Brasil representava.

De fato, Felipão não ganhava um título de expressão desde 2002, quando conquistou o título máximo do futebol, a Copa do Mundo, no comando da Seleção Brasileira. E essa taça abria a era de ouro pessoal dele, que dali algum tempo seria considerado o melhor técnico do planeta. Até cair no ostracismo.

Em 2002, o Palmeiras caía para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O ponto mais baixo nos 98 (a se completarem em agosto) da história do clube. De lá pra cá, até jogou algumas Libertadores, sem nenhuma participação expressiva.

“Porque tem espírito de campeão, tem o Betinho, que finaliza duas vezes e faz um gol, tem o Henrique que joga com febre, tem o Luan que com uma perna só dá trabalho…”

Foi a resposta de Felipão a outra pergunta: Por que esse time do Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil?

Enfim, Felipão conseguiu o que queria. Em palavras dele próprio, marcar esse grupo como um grupo vencedor. E é. Independente da qualidade técnica de cada jogador ou do conjunto. Já vimos inúmeras equipes cheias de estrelas que não ganharam nada, assim como não é raro equipes sem estrela alguma conquistar títulos.

 

Dez anos depois do último título importante, Felipão prova que ainda sabe vencer

De fato, o Palmeiras está longe de ser um time brilhante, muito longe. Mas é um time de sangue frio, de precisão e com a cabeça no lugar.

Mas quem é brilhante? O Barcelona de Messi perdeu para o aplicado Chelsea, que acabou conquistando a Chapions League. O Santos de Neymar (que eu continuo achando que não joga nada) perdeu para o disciplinado Corinthians, que também venceu o Boca de Riquelme.

Um amigo meu (palmeirense, aliás) falava que, de todas as coisas idiotas do mundo, a mais gostosa é o futebol. E uma das grandes magias do esporte dos 20 e tantos tontos correndo atrás da bola é justamente o fato do brilhantismo não ser determinante para as conquistas.

O Palmeiras estava entre a cruz e a espada. Se deixasse escapar esse título, a crise chegaria mais avassaladora do que nunca.

A cruz já foi. Só falta a espada.

O time ainda tem mais de 30 rodadas do Campeonato Brasileiro pela frente e com o elenco que tem é sim (por que não?) candidato sério a brigar para não cair de novo para a Série B. Com a vaga na Libertadores 2013 garantida, o esquadrão comandado por Scolari se livra de um grande peso nos ombros, que é a pressão por resultados. E nada é tão perigoso quanto um time que joga sem pressão por resultado. Mas, se não acertar o pé e começar a vencer seus jogos, e rápido, nem essa vaga garantida vai garantir a calmaria no eterno barril de pólvora chamado Palestra Itália.

Preocupações que vão ficar de lado, pelo menos pelos próximos dias. A situação está longe de ser confortável, apesar do belo respiro que o esquadrão verde e branco ganha com a conquista. Domingo tem jogo contra o São Paulo. Se a quinta vai ser de ressaca, a sexta certamente será de trabalho e o sábado de concentração.

Hora de guardar a cruz no bolso, rezar o Pai Nosso, e começar a fugir da espada.