O Assassinato do Promotor – Parte 3


A reação

São Paulo, sexta-feira, 9 de março de 2012, 14h45

O prédio da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo fica na rua Libero Badaró, próximo à avenida 9 de Julho, na região central da cidade. Não. Não é o local mais seguro da cidade. Mas seria o fim do mundo se a própria Secretaria de Segurança Pública precisasse ficar em um lugar seguro, geograficamente falando.

Em uma das principais salas, toca um dos principais telefones. Era gente importante ligando, gente importante atendendo. Ele atendeu, fizeram os cumprimentos de praxe até que a voz do outro lado da linha deu a notícia.

– Atiraram nele? – perguntou, surpreso o camarada que atendeu à ligação – pode deixar, senhor, vou mandar pra lá nosso melhor investigador.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Celso Marques Figueroa, desligou o telefone. Pensou por alguns minutos, religou o aparelho e teclou um conjunto de números. A chamada tocou três vezes até que a voz atendeu do outro lado da linha.

– Jonas?

– Sim.

– Preciso de você em um caso. Pedido pessoal do governador.

– Mataram gente importante?

– Um dos melhores promotores do Ministério Público do Estado.

– Sério? Quem foi?

– É pra isso que eu preciso de você. Pare o que estiver fazendo. Você vai, imediatamente, para Lençóis Paulista.

– E onde fica isso?

– Região de Bauru.

– São 400 quilômetros. Quatro horas de viagem.

– Eu disse imediatamente. Você vai de helicóptero.

Ordens são ordens. Jonas Amaro Soares Júnior, um dos melhores e mais conceituados investigadores da Polícia Civil do Estado de São Paulo, parou o que estava fazendo. Desligou o videogame e começou a arrumar as malas. Um crime tão improvável não seria de difícil solução. Calculou que demoraria, no máximo, até a próxima quarta-feira. Separou roupas para seis dias. Suspirou fundo e preparou-se para sua partida.

– Odeio helicópteros – pensou alto, antes de entrar no carro e sair.