Salve o Corinthians!


 

Lógica e futebol não se misturam. Mas dessa vez, deu a lógica (depois do jogo é mais fácil falar assim). Depois de 90 minutos quase impecáveis do time comandado por Tite, a fiel torcida finalmente tira o grito da garganta e chora a conquista do único título de expressão que lhe faltava: a Libertadores da América.

“A sorte não entra em campo. Eu não acredito em sorte”. A frase foi dita pelo comandante corintiano minutos antes do começo da partida. Insisto, ele teve sorte sim, de enfrentar um Boca Júniors com a pior dupla de atacantes que eu já vi vestindo a camisa azul e amarela. Claro que isso não tira o mérito do Corinthians, que foi à temida Bomboneira e trouxe de lá um resultado favorável, para poder entrar em campo com a cabeça no lugar.

E com a cabeça no lugar, o Corinthians é praticamente imbatível. Mostrou isso ao longo do Brasileirão do ano passado e nos jogos mais importantes da Libertadores da América. Um time centrado, taticamente disciplinado e jogando à risca dentro do 4-2-3-1 consolidado ainda por Mano Menezes.

No primeiro tempo, um jogo nervoso para os dois lados fez com que as equipes fossem para os vestiários com a impressão de que a decisão estava em aberto. Ledo engano. O Corinthians voltou para o segundo tempo para demonstrar seu jogo impecável. Sólido na defesa, com Ralf e Paulinho sem descuidar de Riquelme e Levirt e deixando os lados do campo para os argentinos tentarem o jogo.

O Corinthians, na segunda etapa, conseguiu controlar a partida e os nervos dos argentinos, manteve a bola no ataque e cavou uma série de faltas perigosas, inclusive a do lance que deu origem ao primeiro gol de Emérson.

Com um a zero no placar ficou fácil. Foi só fazer o Corinthians sabe de melhor: não tomar gols. No único lance de perigo contra a meta do Timão, um lance cruzado na área que resultou em uma finalização de cabeça do ataque argentino, Cássio fez uma grande defesa. Chamando o adversário para o ataque, aproveitou uma falha do experiente zagueiro Schiavi (que não acontece todos os dias) para marcar o segundo gol.

A conquista da Libertadores volta os olhos da nação corintiana para um grande personagem, injustiçado no Parque São Jorge em outras épocas. Falo do técnico Tite, um grande treinador, que foi descaradamente boicotado em 2005 para dar lugar a Daniel Passarela e toda a máfia Russa que viria para tomar conta do Timão naquele ano.

De volta ao Corinthians, Tite provou para a torcida brasileira que entende sim de futebol, ao contrário do que muitos já insinuavam. E deixou nos diretores de outrora (Dualib e outras assombrações que ainda pairam sobre o Timão) um resquício de arrependimento. O título da Libertadores poderia ter vindo antes? Aposto que sim.