Mohandas ‘Mahatma’ Gandhi – a grande alma


 

Até o século 19, praticamente metade do território conhecido no globo terrestre era colônia de algum país que tivesse se destacado no início das grandes navegações, séculos antes. Portugal, Espanha e Inglaterra foram os colonizadores de parte considerável do planeta, e, como todo colono, em algum momento da história, teve que enfrentar (e perder) uma guerra de independência.

Colônias? A história da humanidade conheceu centenas. Guerras por libertação? Milhares. No entanto, nenhuma dessas histórias foi capaz de dar ao mundo uma personalidade tão notável quanto Mohandas Karamchand Gandhi, revolucionário da independência da Índia, colônia inglesa desde 1757. Ficou famoso pelo apelido de Mahatma (a grande alma, em hindu), e mais de 60 anos depois de sua morte, se configura como uma personalidade de importância maior que o próprio movimento libertário que ajudou a fortalecer.

“As gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a terra”. Essa frase é de Albert Einstein, sobre Mahatma Gandhi. Mas o que faz do famoso “homenzinho seminu” (como, certa vez, referiu-se a ele um militar inglês de alta patente) tem de tão especial em relação a tantos outros nomes importantes em guerras de independência de países que hoje têm destaque internacional infinitamente maior do que a Índia?

A diferença que fez de Gandhi um dos grandes nomes do século 20 foi a idealização da revolução limpa, sem armas, sem bombas, sem agressão, sem mortes. Ele desenvolveu a teoria filosófica da não-agressão e a batizou de Satyagraha, termo em sânscrito mais comumente traduzido como “o caminho da verdade”. Dizem que o nome em sânscrito veio por que ele não encontrou um termo adequado em inglês para representar o novo pensamento.

Da filosofia aos fatos, Gandhi liderou 250 milhões de indianos de forma pacífica contra a ocupação inglesa ao território, que, naquele tempo, já durava mais de 100 anos. Pelo bem da humanidade, final, milhões de dominados sob uma liderança forte e em busca da independência, em qualquer outro lugar do mundo teria resultado em absoluta carnificina.

Deixou as roupas que lhe davam o status necessário à bem sucedida carreira de advogado para usar as roupas feitas em casa, usadas pela classe miserável do país. Naquele tempo, apesar da grande maioria dos indianos estarem desempregados pela crise da indústria têxtil britânica, eram obrigados a comprar as roupas produzidas pela metrópole. Ghandi incentivou a comunidade a fazer as próprias roupas, o que terminaria por arruinar o empreendimento do colonizador. O sucesso foi tal que o tear manual, símbolo deste ato de desobediência civil, foi incorporado à bandeira do estado moderno da Índia.

A independência da Índia foi consolidada em 15 de agosto de 1947. No dia 30 de janeiro de 1948 foi morto por Nathuram Godse, um nacionalista indiano que acusava o líder de enfraquecer o novo governo, ao insistir no pagamento de uma dívida antiga com o Afeganistão. Gandhi negociava a paz entre os dois países, que até hoje são inimigos e não raramente, se atacam.

Mais do que colaborar com a independência de um país, Gandhi deixou para a humanidade uma proposta alternativa de pensamento, uma maneira concreta de acreditar que era possível conquistar sem guerrear. O Satyagraha é um sistema político-revolucionário completo e consistente, que até os dias de hoje inspira e dá aos ativistas as ferramentas de lutar contra o que consideram injusto.

A filosofia da não-agressão é um organograma sério que deixa 19 mandamentos para todo aquele que se julgar digno de liderar através do Satyagraha. Gandhi inspirou outros ativistas democráticos e anti-racismo da história da humanidade como Martin Luther King, Nelson Mandela e Harvey Milk, outros grandes nomes que, em breve, também vão aparecer nesse espaço.