Corinthians perto de título histórico


 

Futebol e lógica não se misturam. Por isso corri pra escrever este texto antes do segundo jogo da final da Libertadores entre Corinthians e Boca Júniors, logo mais, no Pacaembu. Desde os 11 anos eu gosto bastante de futebol, antes não gostava. Mas acompanho desde então. E lá se vão mais de 20 anos de bagagem, por assim dizer.

Sempre ouvi fala que as pessoas que trabalhavam com o esporte perdiam aquela paixão de torcedor, justamente pela necessidade de enxergar o jogo pelo lado técnico. Tive a oportunidade de acompanhar, entre 2008 e 2009, um Paulistão e um Brasileirão, participando da equipe da extinta Jornada Esportiva, da rádio Difusora 1010, de Lençóis Paulista. Foi curto meu tempo como comentarista de rádio. Mas sobre perder a paixão, é verdade.

Isso explicado, posso, enfim, fazer a afirmação: tudo caminha para o título do Corinthians, logo mais, na decisão da Libertadores da América. E o que aponta isso? O nível do futebol? Não. A maior especialidade do Timão é não tomar gols e para ganhar jogos, é preciso marcá-los.

O que desenha o Corinthians como campeão é o contexto. Vem de uma campanha ridícula na mesma competição no ano passado, quando foi eliminado ainda na fase prévia, pelo inexpressivo Tolima. Ao contrário do que fariam 95% dos clubes do Brasil, não demitiu seu treinador, nem desmanchou o elenco.

Pelo contrário, bancou, moralmente, o barato que deu certo. Sem jogadores muito mais caros que os outros, o Corinthians chega para o jogo mais importante de sua história com um elenco bastante equilibrado, capaz de atuar, da mesma forma e com a mesma formação tática, tanto com titulares quanto com os reservas.

Fora isso, acontece com o Corinthians coisas que só acontecem com times campeões. Trocar de goleiro no meio da temporada é um exemplo. Depois da eliminação no Campeonato Paulista, Cássio assumiu as metas do Timão e o time de Parque São Jorge descobriu que talvez estivesse conhecendo um dos maiores goleiros de sua história.

E não existem campeões que jogaram contra a sorte, sempre a favor dela. Pois, pra começar, deu a sorte de pegar um Boca que talvez tenha o pior ataque de sua história. Como são ruins os tais de Santiago Silva e Mouche. Na Bomboneira, no primeiro jogo, foi pressionado o tempo todo e nas vezes que não foi salvo pela incompetência do ataque argentino, foi salvo pela trave. E ainda por cima, com o jogo perdido, lança um garoto de menos de 20 anos que, na primeira vez em que pega na bola, é para fazer o gol de empate.

O Corinthians vai ser campeão? Examinando o histórico de filmes que só o futebol é capaz de registrar, afirmo que a lógica aponta para a resposta “sim”. Mas, como eu disse na primeira frase, futebol e lógica não se misturam.