O Assassinato do Promotor – segunda parte


 

Preparando conto novo. E o bom de agora administrar um blog é que eu vou me cobrar para evoluir com as coisas que começo a escrever e muitas vezes demoro anos para terminar (quando termino) pela simples falta de compromisso.

Esse conto é um destes casos. Com certeza vou terminar, a história já está toda em minha cabeça. Conforme for escrevendo, vou postando. Acho que, em menos de um mês, os leitores já vão conhecer o culpado.

Atenção: essa história é uma ficção. Ninguém morreu, ninguém matou. Só tomo a liberdade de usar os personagens da vida real e contextualizá-los porque convivem comigo. As autoridades existem, mas tiveram seus nomes trocados.  

boa leitura e força sempre!

 

2 – Na redação

 

Lençóis Paulista, sexta-feira, 9 de março de 2012, 14h35.

 

O jornal O ECO funciona em uma antiga casa, na rua Geraldo Pereira de Barros, uma das mais movimentadas de Lençóis Paulista, uma pequena e quase pacata cidade do interior de São Paulo. O clima ainda era úmido, mas em nada lembrava a sequência de tempestades que haviam castigado a cidade na semana anterior.

A casa foi adaptada para abrigar a empresa. O enorme salão de frente que antes abrigava uma sala de estar e outra sala de visitas, agora tinha paredes e divisórias para acolher dois departamentos, Comercial e Arte Final. A sala de TV, pequenina, octogonal, agora era a sala da chefia e em dias de chuva, era caminho obrigado para a Redação. Em dias sem chuva, quem vai à redação passa por uma porta balcão, de frente para a porta de entrada e ao lado da recepcionista, cruza o pátio e entra por uma pequena porta lateral.

Úmido, quase molhado, um homem na casa dos 50 anos, de baixa estatura e com os quase ralos cabelos brancos, atravessa a sala da recepção, faz uma conversão à esquerda, cruza a pequena sala redonda e chega ao retângulo quente e abafado onde funciona a redação do jornal. Era Carlos Alberto Duarte, jornalista, radialista e repórter policial.

– Guirado, o que você vai manchetar amanhã? – perguntou ao editor, assim que chegou à sala.

– Ainda não sei Carlinhos – respondeu o jornalista magro e franzino, com um par de óculos redondos, lembrando John Lennon (ou, para os mais jovens, Harry Potter) – você tem alguma matéria boa?

– Acabaram de matar o promotor – afirmou o primeiro.

– Sério? Qual deles? – perguntou o outro, em um tom jocoso.

– Doutor Sanches – respondeu o mais velho – acabaram de atirar nele. À queima roupa. Morreu na entrada do Fórum.

– Morreu mesmo? – insistiu o editor.

– Morreu.

– Tens a manchete então – concluiu – a que horas você me entrega esse texto?

– Não sei ainda – disse Carlinhos – preciso ver o que a polícia já sabe, apurar alguma coisa. Às 17h está bom?

– Para as 17h está bom. Vou reservar o abre da página sete do primeiro caderno.

 

Para ele, uma manchete policial era um alívio. Aqueles foram tempos conturbados. Algumas notícias, por melhores que fossem, eram presságio de transtorno. Outras, por mais trágicas que parecessem, eram boas.

Vai entender? Assim é a vida em uma redação de jornal.