O Assassinato do Promotor


Preparando conto novo. E o bom de agora administrar um blog é que eu vou me cobrar para evoluir com as coisas que começo a escrever e muitas vezes demoro anos para terminar (quando termino) pela simples falta de compromisso.

Esse conto é um destes casos. Com certeza vou terminar, a história já está toda em minha cabeça. Conforme for escrevendo, vou postando. Acho que, em menos de um mês, os leitores já vão conhecer o culpado.

Atenção: essa história é uma ficção. Ninguém morreu, ninguém matou. Só tomo a liberdade de usar os personagens da vida real e contextualizá-los porque convivem comigo. As autoridades existem, mas tiveram seus nomes trocados.  

boa leitura e força sempre!

 

1 – A revoada dos pombos

Lençóis Paulista, 9 de março de 2012, 13h50

Era um começo de tarde quente de outono. Minutos antes havia caído uma leve garoa, depois de mais de dez dias sem aquele povo ver água descendo do céu. E se antes parecia um alívio, aquela chuvinha só aumentou a sensação de estufa que havia em uma sexta-feira qualquer em Lençóis Paulista, interior de São Paulo.

A quadra do Fórum era um trecho de bastante movimento na avenida Padre Salústio Rodrigues Machado, ainda mais naquela hora do dia. Mas, a entrada conhecida como “portão vip” ficava na quadra de trás, na rua Major Espiridião de Oliveira Lima Machado, e apesar da pouca distância da avenida, era bem menos badalada.

Poucas pessoas tinham acesso por ali, só os magistrados e o primeiro escalão do prédio do Ministério Público do Estado de São Paulo. Na ausência de ameaça, grupos de pombos e outras aves costumam se valer do estacionamento para encontros casuais, de descanso, entre uma jornada e outra.

Naquele dia, um estampido surdo, nem grave nem agudo, precedeu uma incomum revoada momentânea de pombos, como se fugissem de um agressor historicamente familiar. As poucas pessoas que passavam pelo lugar viram, em câmera lenta, o desabar de um homem alto e magro, vestindo um antes impecável terno escuro em contraste com a camisa branca, que agora, a olhos vistos, se tingia de um vermelho denso.

– Chamem uma ambulância – alguém gritou – o promotor está ferido.

O socorro chegou rápido, a polícia chegou quase junto. Menos de cinco minutos. Pressa vã. Ali já não era uma situação de emergência, era a cena de um crime.