Bastidores da imprensa: Mentiras da semana de convenções


Estamos começando a semana de convenções eleitorais para definir quem serão os candidatos a prefeito e vereador nas Eleições 2012. Por muito tempo, em Lençóis Paulista, havia o costume de tentar enganar a imprensa nesta que a semana decisiva para o desfecho das articulações em torno das candidaturas.

Lembro-me como se fosse ontem das convenções de 2004. O Zé Rubens sairia candidato a prefeito e havia rumores de que o vice seria do PV. A galera do PV marcou, formalmente, as convenções para as 19h de uma terça-feira, assinaram uma ata de mentirinha e o presidente do partido me deu entrevista lançando o João da Banda como candidato a prefeito.

Cheguei à redação e escrevi a matéria.

Naquele mesmo dia, às 20h, fizeram a convenção e a ata de verdade. Zé Rubens seria candidato a prefeito, pelo PMDB, com João da Banda, na época no PV, como vice. Meus editores ficaram sabendo por intermédio de um fotógrafo de outro meio de comunicação e refizeram a matéria a tempo de não ir para a gráfica com a informação falsa.

Por muito pouco não fui demitido. É claro, a culpa dos caras mentirem é do jornalista, não de quem mentiu.

Em 2008 o filme quase se repetiu. Zé Rubens, ainda no PMDB, escreveu uma carta abrindo mão da candidatura a prefeito. Entrevistei o presidente do partido e escrevi a matéria. Meus superiores me pressionaram, alegando que os caras estavam blefando.

E eu, já mais experiente, aleguei: “se eles estão mentindo é problema deles, não meu”. Mas não teve argumento. Tive que ir até a casa do presidente para ver a tal da carta. Em tempo, em 2008 saiu de novo a dobradinha PV-PMDB, mas invertidos. Tipó, dos verdes, como candidato a prefeito, e Palamede Consalter Junior, como vice.

Em 2012 eu, graças a Deus – e a meia dúzia de bons argumentos e outro bom jornalista, o amigo Vitor Godinho – estou afastado da cobertura eleitoral, por enquanto. A cobertura dessa semana decisiva não está nas minhas mãos.

Mas observo tudo. E até agora ninguém mentiu. Pelo menos não para os jornais.