O Corinthians finalmente na final da Libertadores


No duelo dos técnicos, Tite leva vantagem sobre Muricy e garante Timão na final inédita em 102 anos de história do clube

Para quem acreditava que seria impossível, uma noite para silenciar. Para quem nunca deixou de acreditar, uma noite de lágrimas, mas lágrimas de alegria. O Corinthians empatou em 1×1 com o Santos no Pacaembu e garantiu a vaga na final da Libertadores. O Timão nunca chegou tão longe na competição mais importante do continente e agora sonha com o título inédito. Agora, o Alvinegro espera o vencedor de Boca Juniors (ARG) e Universidad do Chile, que se enfrentarão nesta quinta-feira, em Santiago. O Boca fez 2 a 0 em casa. A primeira partida da final, na próxima quarta, será fora do Brasil.

A decisão teve dois personagens fundamentais e dois aspectos a ressaltar. O goleiro corintiano Cássio e o atacante santista Neymar, e a eficiência defensiva do Timão contra a inércia tática do Peixe. Três alterações feitas por Muricy Ramalho não mudaram o Santos ao longo do jogo tanto quanto a única modificação feita por Tite no intervalo.

A decisão começou na Vila Belmiro, na semana passada. O grande herói foi Cássio, com pelo menos três grandes defesas e a garantia da vitória fora de casa por 1×0, com gol do atacante Emerson. Neymar foi personagem de destaque nos dois jogos. Destaque negativo. Cheio de firulas em jogos considerados mais fáceis, a “joia” santista prova, mais uma vez, que não é jogador de decisões. Corroborando com a minha tese de que ele não joga nada, mas é especialista em marketing e firula.

Com a vitória fora de casa, jogando no Pacaembu na noite desta quarta-feira, o Corinthians deu o recado: pode atacar, nós confiamos em nossa competência defensiva. Colaborando com o Timão, um estranho esquema montado por Muricy deixava Alan Kardec aberto pela direita, com Borges centralizado e Neymar jogando atrás da dupla de centroavantes.

O resultado foi que, Ganso, isolado, pouco criou, Kardec, especialista em jogar centralizado de costas para os zagueiros, pouco ajudou e Borges, salvo a participação no gol do Santos, praticamente não tocou na bola. O volante Arouca tentou subir e ajudar na armação. O mesmo aconteceu com o lateral Juan. Nada que fizesse do Peixe mais criativo, mais ofensivo. Henrique, improvisado na lateral, não foi ao ataque.

Tanto é que, além do gol, o Santos praticamente não ameaçou o gol do Corinthians durante os 90 minutos no Pacaembú. Gol aliás, que só aconteceu porque Kardec fez o que é de sua especialidade, ganhou o lance pelo alto do volante Ralf, fez a bola chegar em Neymar, e recebeu de volta, centrando para a área onde Borges desviu na trave e o jovem camisa 11 ficou sozinho com o gol vazio para marcar de canela.

Tite disse que não faria isso, mas fez. Armou o Corinthians na defesa. Sem Emerson, expulso no primeiro jogo das semifinais, abriu Willian e Jorge Henrique pelas pontas e Danilo era o meia mais avançado.

Em desvantagem no marcador, Tite mexeu no intervalo. Uma única alteração. Liedson no lugar de Willian, prendendo a defesa do Santos e dando espaço para Danilo, Alex e Paulinho. O Timão ainda deu sorte de fazer um gol logo de cara na segunda etapa, em bola parada: Alex cruzou, Danilo, livre de marcação, empatou o jogo.

Com espaço para prender a bola no ataque, o Corinthians parou de chamar o Santos para o jogo e passou a marcar o adversário em seu campo de ataque, complicando as saídas de bola. Muricy mexeu três vezes, trocou Adriano por Elano, Juan por Léo e Borges por Dimba. Nas três vezes trocou seis por meia dúzia, não mudou o jeito de jogar do time. Ganso continuava sozinho na armação, Neymar continuava ineficiente no apoio ao ataque e restava ao time santista tentar lançamentos do campo de defesa para a área do adversário.

Com este cenário configurado e consolidado, era questão de tempo até que a classificação corintiana se consolidasse. Foram pouco mais de dez minutos segurando o jogo, tocando a bola no campo de ataque e ainda aproveitando espaço para as subidas sempre perigosas do bom volante Paulinho. Nervoso e sem se acertar em campo, o Santos assistiu, inerte, à sua eliminação da Libertadores.