poemas, poemas, poemas


Em tempo, aposentei a produção de poesia há pelo menos três anos… quando comecei a organizar o extinto Sarau da Rua (2007-2009), descobri, garimpei, uma série de novos talentos… gostaria de citar um a um, mas se fizer isso, fatalmente vou me esquecer de alguém… severa injustiça… mas enfim, quando descobri aqueles jovens fazendo poesia percebi que meu barato era a prosa mesmo, e olhe lá

Fuçando meus arquivos, encontrei algum dos poemas mais recentes (que mesmo assim são velhos) e como vivo a expectativa de chegar aos mil acessos ainda hoje (nada mal para menos de três semanas de blog), aproveito a chegada do Festival do Livro, aqui na Cidade do Livro, para publicar poemas que eu escrevi para a Antologia Poética do sesquicentenário da cidade, em 2008

 

escrevi mas não inscrevi… assim, eles ficaram aqui, guardados, esquecidos, desconhecidos… 

 

 

 

Culturas

 

Daqui saem os filhos

Dessas filhas mais puras

de onde partem os trilhos

Dessas lidas mais duras

De onde colhem o mel

Das terras mais rubras

De onde colhiam o milho

Das terras mais rubras

 

Milhares e milhares de livros

Envelhecem ao som das culturas

Uma porção de milhares de arquivos

Desaparecem ao sabor das culturas

 

Daqui sangram as cicatrizes mais puras

De onde nasce a ferida mais santa

E onde dor sempre deita e levanta

Onde as doenças matam as curas

 

Idéias nascem e morrem às escuras

Estrelas se afagam nas esculturas

Cabeças se bolam nas monoculturas

Cabeças se rolam nas monoculturas

 

 

Páginas amarelas

 

Se não lá, onde estaria escrita

a história de nossas histórias?

Alegrias e tristezas, derrotas, fracassos

Se não lá, onde estariam escritas?

 

Se não está lá, onde estará

A história de nossos ancestrais?

Se não lá, onde se eternizará

A assinatura de reles mortais?

 

Onde estão nossas vidas

Se não nessas páginas amarelas?

Onde estão nossas vidas

Se não em tinta borrada nelas?

 

Onde está nossa glória

Se não naquelas páginas amarelas?

Lendas findas, inglórias

Ou fábulas ricas e belas?

 

Onde está a memória

Se não nas páginas amarelas?

Pra onde vai nossa trajetória

Se não para as páginas amarelas?

 

Páginas eternas amarelas

Como num mar a vagar caravelas

amarelas

Lindas, limpas, sábias

Dezenas de milhares delas