Espólios de sangue


 

 

alguém quer um diamante de Serra Leoa?

Assistam ao filme “Diamantes de Sangue” e me respondam…

 

abaixo, poema de minha autoria

 

 

Espólios de sangue

 

Pelo brilho lapidado dos

diamantes de Serra Leoa

Bebemos o sangue de milhares

Liquefizemos seus ossos,

Matamos nossa sede

Vil de luxúria vã

 

Tiramos famílias de seus

Lares, decepamos suas mãos

Cozinhamos sua carne

Matamos nossa fome fria e

Fútil de avareza cristã

 

Pelo brilho vidrado dos

Olhos da elite pseudo-pagã

Aplaudimos dondocas gordas

vestindo escalpelados animais

fumamos finos cigarros de cravo

e de fumo extraído por mãos e

sonhos infantis em terras orientais

 

Pelo brilho volátil do petróleo

o vicio do mundo oriental

nossa oração não pede, já roga,

já que ter piedade de nós

nunca  valeu a pena e o

coração se esquece da novena

 

pelo brilho de nossos olhos

de pirita, o ouro de tolo,

vendemos nossas almas

engordamos o bolo da morte

agarrados até o fim da vida

nas nossas falsas riquesas,

nossos podres prazeres

nossos espólios de sangue

que chegamos ao cúmulo

de querer levá-lo além-túmulo