A Parábola da Mão no Buraco


ou ‘Em busca do próprio leitor’

Buraco

 

A parábola da mão no buraco é curtinha. E prometo, vale a pena ler:

 

Dois personagens (e não importa qualquer descrição maior) estavam em um ambiente (que também dispensa qualquer outro detalhe) onde havia um buraco. Escuro, era impossível ver se havia qualquer coisa dentro dele.

– O que será que tem neste buraco? – perguntou um personagem ao outro.

– Só há um jeito de descobrir – concluiu o segundo.

– Tem razão – arrematou o primeiro.

E o personagem que havia feito a pergunta colocou a mão dentro do buraco. Tateou cada centímetro e descobriu o que havia dentro dele.

Que também é irrelevante.

 

Pra quem está achando que essa parábola não tem moral da história, explico. Mas antes, me apresento.

Cristiano Guirado, 34 anos, casado e pai de duas filhas. Jornalista desde 1998, com atuação em Lençóis Paulista (região de Bauru, no interior de São Paulo) e micro-região (meus trabalhos estão ou já estiveram em Bauru, Agudos, Pederneiras, Barra Bonita, Macatuba, Areiópolis, Piratininga e Borebi).

Coautor do livro “Lençóis Paulista conta sua história – 150 Anos”, produzido e publicado pelo jornal O ECO em 2008. Autor de meia dúzia de contos (não lançados) e dois livros, um adulto e um infantil (também não lançados).

Qualquer outra informação sobre mim é irrelevante no momento, mas pode não ser nas próximas publicações deste blog.

 

Vamos à moral da história da parábola.

 

Há algum tempo abordei o dono de uma editora da região tentando vender a ideia de um livro. O livro adulto ficou pronto primeiro, quem leu gostou. Mandei para o camarada, que aparentemente leu. E gostou também.

– Mas hoje em dia as editoras não lançam escritores que não tenham uma plataforma de leitores. Se você tivesse pelo menos três livros no mercado, ou fosse alguém de grande sucesso nas redes sociais…

Essa foi mais ou menos a síntese da resposta, composta em duas ou três abordagens. Resumindo, em tempos de burrificação do Brasil, é arriscado (financeiramente falando) lançar escritor desconhecido.

 

E me dei conta de que – fora dois ou três que sempre comentam textos publicados na minha coluna em O ECO – não sabia quem eram os meus leitores. E não sei até hoje.

E o que é pior, além de não saber quem são, não sei qual parte do meu trabalho é mais lida. Os artigos de opinião ou a coluna de humor? Ou talvez a cobertura das notícias do dia a dia (que eu faço pouco, mas faço), ou se gostam mais dos cadernos especiais. Ou até, quem sabe, das matérias de registro histórico e o trabalho de recuperação da memória intelectual.

Essa é a tal plataforma de leitores à qual o empresário se referia.

 

Enfim (e finalmente), eu sou o personagem que perguntou ao outro: – o que será que existe dentro deste buraco? Estou começando a tatear. Bem vindos ao Blog do Guirado.

 

Força Sempre!